O Mercado Livre registrou lucro líquido de US$ 448 milhões no terceiro trimestre, alta anual de 6%, mas abaixo das expectativas devido a maiores gastos com logística e frete grátis antes da Black Friday. Os investimentos comprimiram a margem operacional para 6,3%. Por outro lado, a receita superou previsões ao saltar 45%, para US$ 10,75 bilhões, impulsionada pelo Brasil. No Mercado Pago, a carteira de crédito cresceu 62%, com a empresa adotando postura mais cautelosa em novos empréstimos.
O Mercado Livre divulgou nesta quarta-feira um lucro líquido abaixo das estimativas do mercado para o terceiro trimestre, à medida que maiores gastos em capacidade logística para o pico da temporada de compras pressionaram as margens.
A empresa de comércio eletrônico e serviços financeiros registrou lucro líquido de US$448 milhões de julho a setembro, inferior aos US$ 476 milhões esperados por analistas, segundo dados da LSEG.
Ainda assim, o lucro subiu cerca de 6% em relação ao mesmo período do ano anterior, retomando o crescimento após três trimestres consecutivos de queda.
"No trimestre em que você está ampliando a capacidade, ainda não há uma receita correspondente, mas você já arca com os custos", disse o diretor financeiro do Mercado Livre, Martin de los Santos, em entrevista à Reuters. "Isso gera uma compressão nas margens, que é compensada no trimestre seguinte."
EXPANSÃO DA CAPACIDADE PRESSIONA AS MARGENS
O Mercado Livre disse que aumentou sua capacidade de fulfillment -- centros de distribuição para estoque e processamento de produtos -- em cerca de 20% em relação ao trimestre anterior, ante 10% no mesmo período do ano passado, preparando-se para os eventos promocionais de fim de ano, incluindo a Black Friday.
A maior expansão fez com que a margem operacional recuasse para 6,3%, ante quase 10% um ano antes, e ficando abaixo dos 7% previstos por estimativas de mercado compiladas pela LSEG.
De los Santos afirmou que as margens também foram impactadas pelo custo mais elevado com frete grátis, especialmente após expansões na Argentina e no Brasil, além do aumento dos gastos com marketing no Brasil.
A alta nos preços dos combustíveis também elevou os custos, levando a empresa a reajustar as taxas de frete cobradas dos lojistas, segundo ele. BRASIL IMPULSIONA RECEITA
A receita, por outro lado, superou as expectativas e subiu 45%, atingindo US$10,75 bilhões, acima do consenso de mercado de US$10,66 bilhões, com o Brasil liderando esse crescimento para a empresa que atua na América Latina.
A tensão entre um crescimento mais acelerado e margens menores tem marcado os resultados recentes do Mercado Livre, uma vez que a administração prioriza investimentos para defender uma posição de liderança no comércio online e em pagamentos digitais na América Latina no longo prazo.
As ações, porém, acumulam queda de cerca de 13% este ano, após uma valorização de quase 140% entre 2023 e 2025.
"Nossos investimentos estão dando resultados. Estamos apresentando um crescimento expressivo e um alto nível de engajamento, as pessoas estão comprando com mais frequência", afirmou de los Santos. "Continuamos muito otimistas em relação à trajetória de margens no longo prazo."
Na divisão financeira Mercado Pago, a carteira de crédito cresceu 62% em relação ao ano anterior, embora esse ritmo tenha desacelerado na comparação com trimestres recentes.
De los Santos disse que a empresa se tornou "um pouco mais conservadora" na concessão de novos empréstimos no Brasil e na Argentina, diante de um "ciclo de crédito bastante complexo" em ambos os mercados.