A MBRF anunciou neste domingo, 3, a conclusão do acordo com a Halal Products Development Company (HPDC), subsidiária do fundo soberano saudita Public Investment Fund (PIF), dando origem à Sadia Halal, uma plataforma global de produção e distribuição de proteínas halal (alimentos permitidos pela lei islâmica) avaliada em cerca de US$ 2,07 bilhões.
Com a conclusão da operação, a BRF GmbH, subsidiária integral da BRF constituída na Alemanha e usada como veículo para investimentos internacionais, passou a deter 90% do capital da Sadia Halal, enquanto a HPDC ficou com os 10% restantes. A nova companhia reúne ativos industriais na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, além de operações de distribuição em países como Catar, Kuwait e Omã, e o negócio de exportações para a região do Oriente Médio e Norte da África.
O acordo prevê aportes da HPDC de US$ 24,3 milhões já realizados e outros US$ 73,1 milhões até o fim de 2026. Além disso, foi firmado um contrato de fornecimento de produtos por dez anos, pelo qual a BRF abastecerá a joint venture a partir de suas unidades no Brasil, com preços definidos "em bases de mercado". Também foi celebrado um contrato de licenciamento de marcas, permitindo o uso da marca Sadia.
Segundo as companhias, a criação da Sadia Halal "representa um marco para a indústria de alimentos halal" e posiciona a empresa como uma das maiores plataformas globais do segmento, com acesso a mais de 350 milhões de consumidores em 14 países islâmicos. A nova empresa já iniciou os preparativos para um potencial IPO na bolsa de Riad, a Tadawul, sujeito às condições de mercado.
Em comunicado, o CEO da operação na Arábia Saudita, Marquinhos Molina, afirmou que o movimento "é um marco" no compromisso de longo prazo com a Arábia Saudita e a região, acrescentando que a companhia será construída "com base em qualidade, escala e confiança, capaz de atender múltiplos mercados".
Já o CEO da Sadia Halal, Fabio Mariano, disse que a empresa "nasce como referência global multiproteínas em um dos mercados que mais impulsionam o crescimento da indústria alimentícia no mundo", destacando também a contribuição para a "agenda global de segurança alimentar".
Do lado da HPDC, o CEO Fahad bin Suliman Alnuhait afirmou que a companhia terá "um papel estratégico claro: atuar como o braço de proteínas do reino", funcionando como um hub para atender toda a região e "destravar novas oportunidades".
A operação ocorre em um momento de expansão do mercado halal, que movimenta mais de US$ 2 trilhões por ano, com expectativa de que o consumo de alimentos ultrapasse US$ 1,5 trilhão até 2027, impulsionado por uma população muçulmana superior a 1,9 bilhão de pessoas.