Mais navios são atacados no Golfo e preço do petróleo volta a subir; o que aconteceu na guerra até agora

Os preços do petróleo voltaram a subir nesta quinta-feira (12/3), chegando a atingir US$ 100 por barril, após mais três navios cargueiros serem atacados no Golfo Pérsico.

12 mar 2026 - 06h57
Navios seguem sendo atacados no Golfo Pérsico, no Estreito de Ormuz e no Golfo de Omã
Navios seguem sendo atacados no Golfo Pérsico, no Estreito de Ormuz e no Golfo de Omã
Foto: Reuters / BBC News Brasil

Os preços do petróleo voltaram a subir nesta quinta-feira (12/3), chegando a atingir US$ 100 por barril, após mais três navios cargueiros serem atacados no Golfo Pérsico, em meio à guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.

Dois petroleiros foram atingidos por um "projétil desconhecido" perto do Iraque e um navio porta-contêineres foi atacado perto dos Emirados Árabes.

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A alta dos preços do petróleo ocorre mesmo depois que os 32 países concordaram, na quarta-feira, em liberar 400 milhões de barris de reservas emergenciais, em um esforço para acalmar os mercados.

Também na quarta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, havia dito que o preço do petróleo cairia: "Vai cair mais do que nós, do que qualquer um, imagina".

No Líbano, novos ataques israelenses mataram várias pessoas, incluindo pelo menos oito na orla de Beirute.

Novos ataques iranianos foram relatados em toda a região, incluindo no Bahrein e em Omã. Em Dubai, um arranha-céu foi atingido por um aparente ataque de drone.

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Ataques a navios

Mais três navios comerciais foram atacados durante a noite, de acordo com a UK Maritime Trade Operation (UKMTO), a autoridade britânica de navegação marítima, que continua aconselhando os navios a "navegarem com cautela" pela região.

Treze navios já haviam sido atacados no Golfo Pérsico, no Estreito de Ormuz e no Golfo de Omã, entre 28 de fevereiro e 11 de março, informou UKMTO antes dos novos incidentes de quinta.

Dois navios foram atacados no litoral do Iraque. Às 1h30 do horário local, dois petroleiros foram "atingidos por um projétil desconhecido" a 9 quilômetros da costa do Iraque, no norte do Golfo Pérsico.

Ambos os navios relataram incêndios a bordo após serem atingidos, segundo a UKMTO, que acrescentou que todos os tripulantes foram evacuados. Já a Agência de Notícias Iraquiana (INA) informou que 38 tripulantes foram resgatados e uma pessoa morreu, citando um oficial militar.

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O diretor-geral da Companhia Geral de Portos do Iraque (GCPI) informou que as operações nos terminais de petróleo foram suspensas, mas os portos comerciais seguem funcionando.

Um navio foi atacado no litoral dos Emirados Árabes. Às 6h19 no horário local, a UKMTO disse ter recebido um relato de um navio porta-contêineres "atingido por um projétil desconhecido, causando um pequeno incêndio a bordo", a 64 quilômetros do litoral dos Emirados Árabes, próximo ao Estreito de Ormuz. Todos os tripulantes foram salvos.

A causa de ambos os ataques ainda está sendo investigada.

Petróleo

Os preços da energia recuaram ligeiramente depois que o petróleo Brent ultrapassou os US$ 100 por barril no início dessa quinta-feira (12/3), nas negociações asiáticas — mesmo após a notícia de que diversos países concordaram em liberar quantidades recordes de reservas emergenciais de petróleo no mercado.

O Brent, que é referência do petróleo, estava sendo negociado com alta de cerca de 6%, a US$ 97 por barril por volta das 4h30 (horário de Brasília) desta quinta-feira.

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Os preços da energia vêm tendo forte oscilação desde o início da guerra, com uma grande disparada que fez o barril atingir US$ 120 na segunda-feira, mas recuar no dia seguinte.

Na quarta-feira, todos os 32 membros da Agência Internacional de Energia (AIE) anunciaram a liberação de 400 milhões de barris — aproximadamente o consumo mundial de quatro dias — em resposta às preocupações com o abastecimento.

A intervenção da AIE foi significativa, mas a entidade não tem capacidade de fazer isso com frequência. Operadores do mercado seguem preocupados com a indefinição sobre quanto tempo o Estreito de Ormuz permanecerá uma zona de perigo para petroleiros.

Martin Ma, do Instituto de Tecnologia de Singapura, diz que os investidores esperam que esse conflito seja "prolongado" — o que explica por que a liberação das reservas de petróleo proporcionou pouco alívio nos mercados e serve apenas como uma "amortecimento temporário".

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A Guarda Revolucionária do Irã emitiu um alerta dizendo que os inimigos do Irã "não conseguirão baixar artificialmente o preço do petróleo" e que em breve ele deverá chegar a "US$ 200 por barril".

Falando a seus apoiadores no Kentucky na quarta-feira, o presidente dos EUA disse que a decisão de 32 países de liberar reservas emergenciais "reduziria substancialmente os preços do petróleo".

"O preço do petróleo vai cair. Isso é uma questão de guerra. É quase possível prever. Eu diria que subiu um pouco menos do que pensávamos. Vai cair mais do que nós, do que qualquer um, imagina", disse Trump.

Ele disse que os EUA "analisariam com muita atenção" o Estreito de Ormuz, acrescentando: "O estreito está em ótimas condições. Destruímos todos os barcos deles. Eles têm alguns mísseis, mas não muitos."

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Conflito continua

Várias pessoas morreram em ataques aéreos israelenses no Líbano nesta quinta-feira, incluindo pelo menos oito na orla marítima de Beirute, longe do reduto do Hezbollah, que era o principal alvo dos bombardeios israelenses.

O Hezbollah disparou dezenas de foguetes através da fronteira com Israel em um ataque aparentemente coordenado com seus aliados iranianos. A noite passada foi de intensos bombardeios por toda a cidade, com fortes explosões sendo ouvidas na área de Dahia, no sul de Beirute, um reduto do Hezbollah de onde milhares de pessoas já fugiram devido aos intensos ataques, afirma o repórter da BBC Wyre Davis.

Alguns ataques aéreos também atingiram outras partes de Beirute, incluindo a orla marítima da Corniche, em Ramlet al-Baida.

O Hezbollah afirmou ter lançado mais de 100 foguetes contra Haifa e outras partes do norte de Israel.

Um arranha-céu em Dubai foi fotografado com um grande buraco na manhã de quinta-feira
Foto: Reuters / BBC News Brasil

O Irã também segue atacando alvos em diversos países.

No Bahrein, um grande incêndio atingiu tanques de petróleo e combustível perto do aeroporto internacional do país. A fumaça era tão forte que as autoridades pediram à população fechassem as janelas de suas casas.

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Em Omã, bombeiros tentavam conter um incêndio em tanques de armazenamento de combustível nesta quinta-feira, resultante do ataque de ontem ao porto de Salalah. Omã também ordenou a evacuação de embarcações em seu terminal de exportação de petróleo como medida de precaução.

A Guarda Revolucionária também alertou que instituições financeiras ocidentais agora são alvos legítimos, após um ataque a um banco iraniano.

Bancos internacionais têm fechado seus escritórios no Golfo — o HSBC no Catar, e o Citi e o Standard Chartered em Dubai — orientando os funcionários a ficarem em casa.

Um arranha-céu em Dubai foi fotografado com um grande buraco na manhã de quinta-feira, depois que o governo local informou que um drone "caiu no prédio". Não está clara a origem do drone.

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