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Lula assinará nos próximos dias decreto que amplia acesso ao mercado livre de energia, diz Silveira

Ministro prevê que aumento da competição no setor reduzirá conta de luz em 20% para todos os consumidores, inclusive residenciais

10 ago 2026 - 14h54
(atualizado às 15h20)

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse nesta segunda-feira, 10, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinará nos próximos dias o decreto que amplia o acesso ao mercado livre de energia. A norma prevê a inclusão dos setores industrial e comercial em novembro de 2027 e dos consumidores residenciais um ano mais tarde.

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Silveira prevê que o texto, que passa pela análise final da Casa Civil, resulte em uma redução de 20% da conta de luz devido ao aumento da competição no setor.

'Os geradores de energia não vão mais ter a moleza de vender para as distribuidoras, e as distribuidoras repassarem o custo ao consumidor'. diz Silveira
'Os geradores de energia não vão mais ter a moleza de vender para as distribuidoras, e as distribuidoras repassarem o custo ao consumidor'. diz Silveira
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

"A ideia é permitir que o consumidor regulado, que hoje consome 55% da energia do Brasil, mas equivale a praticamente 98% do total de consumidores, tenha a oportunidade de comprar energia no mercado livre", disse ele ao Estadão.

Na prática, o consumidor terá liberdade para escolher qual empresa contratar para fornecer energia elétrica para sua empresa ou residência. Atualmente, não há essa possibilidade.

"Os geradores de energia não vão mais ter a moleza de vender para as distribuidoras, e as distribuidoras repassarem o custo ao consumidor. Elas vão ter de competir junto aos consumidores para poder vender energia", acrescentou o ministro.

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Ele recebeu a reportagem no prédio da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, em São Paulo. Ele discutiu com representantes dos órgãos as medidas que precisarão ser tomadas para lidar com o aumento da procura pelos consumidores.

Na conversa, Silveira também afirmou que a criação de um teto para a Conta do Desenvolvimento Energético (CDE), medida adotada pelo governo Lula no ano passado, também ajudará a conter a alta da energia elétrica ao limitar o impacto dos subsídios.

Apesar da defesa do ministro, o Estadão mostrou que o teto da CDE terá efeitos limitados, pois a medida excluiu do limite 50% dos subsídios bancados atualmente pela CDE.

Ele relatou que desde o primeiro dia que assumiu o ministério vive uma "angústia diária" porque sofreu pressão de parte do Congresso Nacional para aceitar mais subsídios para fontes alternativas de energia.

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"E eu entendia que essas fontes já tiveram os subsídios necessários para se desenvolver. E eu quero aqui também fazer um desabafo - vamos chamar assim, um registro: muitas dessas fontes, que são importantes, geram muito pouco emprego e renda no Brasil. Por exemplo a fonte eólica, de 80% a 85% por cento das peças do setor eólico e solar são importadas das Chinas", afirmou Silveira.

Ele contrapõe o dado ao leilão, realizado por sua pasta, que resultou na contratação de 65 usinas hidrelétricas em 2025, das quais 55 são pequenas centrais hidrelétricas (PCH).

"A PCH é cimento do Brasil, ferro brasileiro, tecnologia brasileira, mão de obra brasileira. Indústria de equipamentos e engenharia nacional com baixíssimo impacto ambiental. Um país que tem 11% da água doce do planeta não pode preterir da energia hídrica", finalizou o ministro.

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