A Vale, uma das maiores produtoras de minério de ferro do mundo, reportou nesta terça-feira um lucro líquido de US$1,9 bilhão no primeiro trimestre, alta de 36% em relação ao mesmo período do ano passado, com maiores volumes e preços de seus principais produtos.
O resultado da mineradora veio um pouco abaixo da expectativa de analistas, de US$2 bilhões, conforme dados compilados pela LSEG.
Em meados deste mês, a companhia havia relatado alta de 3,9% no volume de vendas de minério de ferro entre janeiro e março ante o mesmo período de 2025, para 68,7 milhões de toneladas. Além do maior volume de vendas, o preço médio realizado no período do principal produto da companhia subiu 5,5%.
"Entregamos um início sólido em 2026, refletindo nossa execução disciplinada, excelência operacional e o contínuo desenvolvimento de projetos estratégicos em todo o nosso portfólio", afirmou o CEO da Vale, Gustavo Pimenta, em nota.
A companhia reportou um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de US$3,83 bilhões, avanço anual de 23%, após o volume de vendas de minério de ferro da Vale no primeiro trimestre ter ficado no maior patamar para o período desde 2018.
A receita líquida de vendas avançou 14% para US$9,26 bilhões, com a empresa contando também com maiores volumes de vendas de níquel e cobre.
"Durante o trimestre, alcançamos recordes de produção em múltiplos ativos, demonstrando a força de nossas operações", destacou Pimenta. Um dos destaques foi registrado na operação S11D, no Pará, que teve a maior produção de minério de ferro para um primeiro trimestre.
De acordo com Pimenta, o "portfólio flexível" da companhia permitiu à empresa "capturar oportunidades em um ambiente de mercado robusto", enquanto a busca contínua por eficiência de custos segue preservando a competitividade.
O custo caixa C1 do minério de ferro, entretanto, subiu 12% na comparação anual, para US$23,6/tonelada, principalmente impactado pela apreciação do real frente ao dólar.
Os custos all-in do minério de ferro ficaram em US$55,4/tonelada no trimestre, 8% maiores ano contra ano.
Na Vale Metais Básicos, que reúne ativos de níquel e cobre, o CEO disse que a empresa colheu resultados das iniciativas de otimização de ativos, "resultando em maior produção e menores custos".
A companhia informou ainda um fluxo de caixa livre recorrente de US$813 milhões, aumento de US$309 milhões na comparação anual.
Já a dívida líquida expandida atingiu US$17,8 bilhões ao fim do trimestre, avanço de US$2,2 bilhões na comparação trimestral, em razão do pagamento de US$2,7 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio, parcialmente compensado pela geração de fluxo de caixa livre, explicou a Vale no balanço financeiro.
INVESTIMENTOS
Já o investimento totalizou US$1,09 bilhão no primeiro trimestre, queda de 7% em relação ao mesmo período do ano passado, mas "em linha com o guidance anual de US$5,4-5,7 bilhões para 2026", disse a empresa.
Os investimentos em projetos de crescimento totalizaram US$182 milhões, queda de 42%, principalmente em função de menores desembolsos no segmento de Soluções de Minério de Ferro, com o ramp-up do projeto Capanema e o estágio físico avançado do projeto Serra Sul +20, cujo start-up está previsto para o segundo semestre de 2026.
A Vale disse que a construção do projeto Serra Sul +20, de minério de ferro continua avançando, com 86% de progresso físico. "Os testes de carga do transportador de correia foram iniciados em março. A construção do britador de compactos está 91% concluída, com as obras civis finalizadas", afirmou.
Se os investimentos em projetos de crescimento caíram, os aportes para manutenção aumentaram 5% na comparação anual, para US$907 milhões, com recursos destinados ao projeto de cobre Bacaba e iniciativas nas operações de pelotização e ferroviária.