Kashkari espera novos aumentos de juros pelo Fed, mas não tem certeza sobre alta neste mês

1 out 2026 - 15h23
Resumo
O presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, indicou que novos aumentos de juros podem ser necessários até 2027 para frear a inflação persistente, embora esteja indeciso sobre uma alta imediata em outubro. Ele avalia que a política monetária ainda não está restritiva o bastante diante da resiliência econômica e do mercado de trabalho aquecido, alertando que os juros podem subir além do previsto caso a economia mantenha o forte ritmo, embora descarte riscos sistêmicos nos mercados.

O presidente do Federal Reserve de Minneapolis, ‌Neel Kashkari, afirmou nesta quinta-feira que espera que sejam necessários novos aumentos nas taxas de juros para conter a economia no horizonte de 2027, embora ele não tenha certeza se a próxima alta deva ocorrer em outubro.

"Estou aberto a diferentes possibilidades" sobre como o Fed procederá com os aumentos das taxas e "não tenho uma opinião formada" sobre se o próximo aumento deve ocorrer na reunião de 27 e 28 de outubro, disse Kashkari ⁠em entrevista à Reuters. A última reunião de política monetária do Fed está marcada para 8 e 9 ‌de dezembro.

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Kashkari, que estava entre os 12 membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) que votaram a favor do aumento de juros para a faixa de 3,75% a 4,00% no mês passado, disse que suas projeções ‌apresentadas para aquela reunião previam mais uma alta de 25 pontos-base ‌este ano e outro aumento semelhante em 2027.

Embora tenha se recusado a caracterizar os riscos em ⁠torno de sua perspectiva para as taxas de juros, ele observou que suas previsões já foram postas à prova. Desde a reunião de setembro, "os dados que recebi sugerem que a economia está indo ainda melhor do que eu previa" em um ambiente em que "a inflação ainda está muito elevada", disse Kashkari.

"Se a economia se mostrar incrivelmente resiliente e, portanto, a inflação for provavelmente mais persistente do que eu imagino, então a política monetária ‌talvez precise subir ainda mais do que estou prevendo neste momento. Mas não sei" se é assim que as coisas ‌vão se desenrolar, disse o presidente ⁠do Fed de Minneapolis.

CONTROLE ⁠DA INFLAÇÃO

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O Fed elevou as taxas no mês passado para conter a alta inflação, que vem ultrapassando a meta de 2% ⁠do banco central há mais de meia década. Kashkari havia ‌divergido na reunião de política monetária ‌de julho, defendendo um aumento das taxas.

Os membros do Fed, na reunião de setembro, também previram mais um aumento em 2026. Os mercados financeiros esperavam que o aperto monetário do Fed fosse ainda mais agressivo até que o presidente do Fed de Nova York, John Williams, afirmou nesta semana que, embora ⁠considere provável outro aumento das taxas este ano, "não há necessidade de urgência". Os investidores reduziram drasticamente as chances de um aumento neste mês após as declarações de Williams.

Embora Kashkari tenha observado que o recente aumento da taxa pelo Fed contribuiu para uma alta acentuada nos custos dos empréstimos de longo prazo, ele afirmou que a política monetária não está fazendo muito para conter ‌a economia.

"O mercado de trabalho parece bastante saudável no momento. Parece que a economia está indo muito bem. E quando analiso esse panorama, isso indica que, provavelmente, a política monetária não está particularmente restritiva neste momento", ⁠disse.

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Kashkari também afirmou que os mercados estão funcionando adequadamente, apesar da volatilidade atual.

"Não vejo nenhuma evidência de risco sistêmico" nos mercados, disse ele. "Acho que o setor bancário merece atenção especial, e estamos (acompanhando)", dada a rápida mudança nos custos de financiamento.

Kashkari disse ainda que o mercado de Treasuries parecia estar funcionando bem e tem conseguido lidar com a reavaliação dos preços.

Ele acrescentou que acreditava que a política monetária sob o comando do novo chair do Fed, Kevin Warsh, estava causando impacto nos mercados.

"Se você observar as taxas de longo prazo se movimentando tanto quanto se movimentaram nas últimas semanas, parte disso se deve a desenvolvimentos econômicos reais", disse Kashkari.

"Acho que parte disso se deve ao fato de que, veja bem, o Fed está realmente levando a sério -- o Fed de Warsh não está apenas falando; o Fed de Warsh está realmente empenhado em controlar a inflação."

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"Tenho certa confiança de que a inflação voltará a cair nos próximos dois anos para nossa meta de 2%, mas os choques continuam nos surpreendendo", acrescentou.

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