IPCA-15 sobe mais que o esperado em setembro sob pressão de energia; alimentos voltam a avançar

Em 12 ‌meses, o IPCA-15 passou a um avanço de 4,47% em setembro, de 4,24% no mês anterior

25 set 2026 - 09h07
(atualizado às 09h41)
Resumo
O IPCA-15 subiu 0,70% em setembro, superando as expectativas e acumulando 4,47% em 12 meses, próximo ao teto da meta. Segundo o IBGE, a alta foi impulsionada pelo grupo Habitação, devido ao salto de 7,42% na energia elétrica residencial com o fim do bônus de Itaipu e a bandeira amarela. Alimentos e bebidas também voltaram a subir (0,40%), liderados pelo tomate, arroz e carnes, assim como Transportes (0,60%), pressionados por passagens aéreas e combustíveis, em meio à postura de cautela do Banco Central.
IPCA-15 subiu mais que o esperado por pressão da energia elétrica
IPCA-15 subiu mais que o esperado por pressão da energia elétrica
Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília

O IPCA-15 subiu mais do ‌que o esperado em setembro sob pressão da energia elétrica, passados os efeitos do bônus de Itaipu, e com os preços de alimentos voltando a avançar, o que levou a taxa em 12 meses a aproximar-se do teto da meta.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) teve alta de 0,70% em setembro, depois de recuar ⁠0,40% em agosto, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

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Em 12 ‌meses, o IPCA-15 passou a um avanço de 4,47% em setembro, de 4,24% no mês anterior. O objetivo para a inflação é de 3% medido pelo IPCA, ‌com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou ‌menos.

Os resultados do mês ficaram acima das expectativas em pesquisa da Reuters, de ⁠altas de 0,53% na comparação mensal e de 4,30% em 12 meses.

Os dados do IBGE mostram que em setembro a maior variação e o maior impacto de alta vieram do grupo Habitação, cujos custos subiram 2,07%. Isso porque a energia elétrica residencial teve alta de 7,42% em setembro, após queda de 6,25% em agosto, uma vez ‌que saiu da conta o alívio proporcionado no mês passado pelo bônus de Itaipu --valor ‌distribuído a milhões de consumidores ⁠residenciais e rurais todo ⁠ano após apuração do saldo registrado na conta de comercialização da energia da usina hidrelétrica binacional ⁠no ano anterior.

Além disso, em setembro a ‌bandeira tarifária da energia elétrica ‌no Brasil permaneceu amarela, o que representa um custo adicional de R$1,885 a cada 100 kWh consumidos.

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Já o grupo Transportes apresentou avanço de 0,60% no mês com alta de 9,82% das passagens aéreas. Os combustíveis subiram 0,22%, com gás ⁠veicular (1,56%) e gasolina (0,30%) apresentando taxas positivas enquanto o óleo diesel (-0,78%) e o etanol (-0,22%) caíram.

Já Alimentação e Bebidas deixou para trás a queda de 0,57% em agosto e passou a subir 0,40% em setembro. A alimentação no domicílio teve alta de 0,38%, após recuar 0,97% no mês anterior.

Destacaram-se os aumentos ‌do tomate (20,76%), do arroz (2,39%) e das carnes (1,30%).

Na semana passada, o Banco Central cortou a taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto percentual, a 13,75% ao ano, ⁠e deixou os próximos passos em aberto ao afirmar que o atual cenário de incerteza demanda serenidade e cautela na condução da política monetária.

Na ata desse encontro, o BC defendeu a manutenção de nível restritivo dos juros básicos no país diante da pressão de demanda, ainda que se observe um arrefecimento em dados de atividade econômica, crédito e inflação.

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Um mercado de trabalho ainda sólido e medidas de incentivo do governo favorecem o consumo, ficando no radar do BC, bem como a expectativa de um El Niño forte.

A projeção de analistas para a inflação neste ano subiu a 4,92% na última pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central.

O IPCA-15 estima a variação de preços coletados entre meados do mês anterior até meados do mês de referência na comparação com o período imediatamente antecedente.

(Edição de Isabel Versiani)

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