Impulso global da China por veículos elétricos reflete ambição chinesa e dificuldade na economia doméstica

23 abr 2026 - 11h38

De robotáxis a ‌carros voadores, a China está trabalhando para exportar mais de sua tecnologia de ponta para veículos - uma estratégia que reflete tanto sua ambição global quanto a dura realidade da economia do país.

A segunda maior economia do mundo abriga o maior e mais avançado mercado de automóveis do mundo. Mas uma guerra de preços de vários anos deixou o país com um excedente de veículos, incluindo os elétricos produzidos em massa ⁠por empresas desconhecidas no Ocidente.

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As vendas de automóveis na China caíram 18% no primeiro trimestre em relação ao ‌ano anterior e espera-se que permaneçam estáveis ou em baixa no futuro próximo.

Os mercados estrangeiros oferecem a promessa de margens mais altas e crescimento significativo no volume de vendas, dizem os analistas e observadores ‌do setor. Isso significa que a perspectiva de crescimento global será ‌o foco do salão do automóvel anual da China, que começa na sexta-feira em Pequim.

As ⁠exportações da China já cresceram significativamente no ano passado, quando o país exportou 5,8 milhões de carros, quase 20% a mais do que no ano anterior, de acordo com dados do setor.

As exportações totais de veículos da China, incluindo carros e veículos comerciais, devem crescer 4%, chegando a 7,4 milhões neste ano, segundo uma previsão da Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis divulgada nesta quinta-feira.

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"Eles chegaram a um ponto em ‌que sabem que não se trata apenas da China", disse Pedro Pacheco, analista da empresa de pesquisa Gartner, ‌falando sobre as montadoras chinesas.

"Eles também ⁠precisam de um roteiro para ⁠implantar tecnologia na Europa, na América Latina e no Sudeste Asiático."

A marca chinesa de veículos elétricos Aito, que é ⁠apoiada pela gigante da tecnologia Huawei, está entre as que ‌almejam o crescimento no exterior. A ‌Aito tem como objetivo mais do que dobrar suas vendas anuais para 1 milhão de veículos até 2030, disse seu presidente, John Zhang, à Reuters.

Zhang disse que a Aito, de propriedade da montadora Seres Group, sediada em Chongqing, espera que as vendas no exterior representem 20% do volume ⁠total nos próximos três anos, em comparação com menos de 1% atualmente.

A empresa planeja entrar em alguns mercados do norte da Europa este ano, onde a adoção de veículos elétricos é maior.

Por enquanto, os EUA estão efetivamente fechados para os carros chineses.

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Os veículos elétricos chineses também estão sujeitos a tarifas na Europa, mas ainda podem ser competitivos lá, o que faz ‌com que os mercados europeus pareçam ser um foco para os fabricantes chineses de veículos elétricos.

Cada vez mais, os automóveis fabricados na China atendem às necessidades dos motoristas estrangeiros, dizem os analistas.

"A China não ⁠é um país emergente no setor automotivo. É um país de ponta, de alto nível", disse Francois Roudier, secretário geral da Organização Internacional de Fabricantes de Veículos Automotores, um grupo global do setor, à Reuters em Pequim.

Os consumidores norte-americanos também se interessaram mais pelos veículos chineses, de acordo com pesquisas, embora as barreiras para vender lá incluam tarifas de cerca de 100%.

No início deste mês, três senadores democratas dos Estados Unidos pediram ao presidente norte-americano, Donald Trump, que impedisse as montadoras chinesas de fabricar veículos nos EUA e que impedisse a entrada no país de carros chineses montados no México ou no Canadá.

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Em janeiro, Trump disse que estava aberto às montadoras chinesas que fabricassem veículos nos EUA.

Ele deve se reunir com o presidente da China, Xi Jinping, em uma cúpula no próximo mês. A relação econômica e comercial com a China é estável e Trump tentará mantê-la assim, disse o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, no início deste mês.

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