O Ibovespa recuou 0,91%, aos 185.500 pontos, puxado pelo tombo da Vale diante da desvalorização do minério de ferro na China e pela aversão global a risco ligada ao setor de inteligência artificial. O cenário político doméstico também pesou nos negócios, com pesquisas eleitorais indicando disputa presidencial acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro, além de tensões no STF envolvendo apurações sobre o Banco Master. No exterior, a alta do petróleo atenuou perdas pontuais, mas não evitou a queda do índice.
O Ibovespa fechou em queda nesta segunda-feira, pressionado particularmente pelo declínio da blue chip Vale, em meio ao recuo dos futuros do minério de ferro na China.
Novas pesquisas eleitorais também ocuparam as atenções na bolsa paulista, enquanto investidores seguem atentos a potenciais reflexos da crise no STF e das investigações sobre o Banco Master na corrida presidencial.
A primeira sessão da semana ainda teve como pano de fundo alertas sobre os riscos envolvendo IA e novo avanço dos preços do petróleo no mercado internacional.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,91%, a 185.500,88 pontos, após marcar 183.813,36 pontos na mínima e 187.320,96 pontos na máxima. O volume financeiro no pregão somou R$24,4 bilhões.
Pesquisa BTG/Nexus divulgada antes da abertura nesta segunda-feira mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) soma agora 42% das intenções de voto no primeiro turno, ante 39% na pesquisa da semana passada, ao passo que o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 37%, ante 35% no levantamento anterior.
O cenário de segundo turno continuou mostrando empate técnico, mas com Lula voltando a liderar com 47%, ante 45% na pesquisa anterior, enquanto Flávio se manteve com 46% das intenções de voto.
Também nesta manhã a pesquisa Quaest divulgada pelo jornal O Globo mostrou Flávio com 42%, enquanto Lula soma 40% em um eventual segundo turno. Na pesquisa anterior, divulgada há uma semana, ambos estavam empatados numericamente com 41%. Ambos permanecem em empate técnico.
O Nexus ouviu 2.003 pessoas entre os dias 11 e 13 de setembro e a Quaest ouviu também 2.003 pessoas, mas entre os dias 10 e 13 de setembro.
Na visão de estrategistas do JPMorgan, a eleição presidencial brasileira de 2026 é o principal catalisador doméstico para os ativos brasileiros neste ano.
"As pesquisas eleitorais vêm mostrando uma disputa mais apertada e agora estão dentro da margem de erro, tornando o resultado altamente incerto e reforçando a perspectiva de volatilidade elevada nos mercados no período em torno da eleição."
Investidores também continuam monitorando os potenciais desdobramentos da crise no Supremo Tribunal Federal e da retirada de sigilo de parte das investigações sobre o Banco Master, em particular as informações relacionadas ao filme "Dark Horse", sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O ministro Flávio Dino, do STF, retirou no domingo o sigilo das investigações que apuram se houve desvio de emendas parlamentares para a realização do filme "Dark Horse" e determinou que a Polícia Civil de São Paulo encaminhe à Polícia Federal o material coletado nas investigações sobre o caso.
Na terça-feira, as atenções estarão voltadas para a análise pelo STF do envolvimento do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, com o Master. O julgamento da petição sobre Moraes refere-se a relatório da PF que implica Moraes e outras autoridades em uma série de condutas com o banqueiro Daniel Vorcaro e pessoas próximas a ele.
No exterior, os mercados abriram pressionados por declarações do presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, que defendeu no sábado que empresas de IA diminuam o ritmo de avanço das capacidades dos modelos por receio de uso indevido da inteligência artificial, o que foi endossado por Elon Musk, que dirige a xAI, e pelo CEO da OpenAI, Sam Altman.
O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira que os EUA já contam com medidas de segurança para regulamentar e processar judicialmente empresas de IA, parecendo minimizar as preocupações manifestadas por líderes do setor no fim de semana sobre o uso indevido da inteligência artificial.
Em Nova York, o S&P 500 fechou com declínio de 0,48%.
Em paralelo, o barril de petróleo sob o contrato Brent encerrou com elevação de 1,02%, a US$105,68, após novos ataques à infraestrutura energética da Arábia Saudita e a navios no Oriente Médio. A cotação chegou a avançar quase 5%, mas arrefeceu depois que Trump afirmou que o Irã desejava chegar a um acordo com Washington.
DESTAQUES
• VALE ON caiu 3,48%, em meio à queda dos futuros do minério de ferro na China. No setor de mineração e siderurgia, USIMINAS PNA recuou 4,74%, CSN ON perdeu 4,65% e GERDAU PN cedeu 3,98%.
• PETROBRAS PN recuou 0,16%, conforme os preços do petróleo afastaram-se das máximas no exterior. A queda, a segunda consecutiva, vem após o papel renovar máximas na semana passada.
• ITAÚ UNIBANCO PN caiu 0,89%, contaminado pelo viés mais vendedor no pregão como um todo. BRADESCO PN perdeu 1,4%, BANCO DO BRASIL ON recuou 1,65% e SANTANDER BRASIL UNIT cedeu 0,82%.
• MRV&CO ON perdeu 3,31%, em dia negativo para construtoras, tendo como pano de fundo também o avanço nas taxas longas dos contratos de DI. O índice imobiliário na B3 recuou 1,73%.
• TOTVS ON fechou em alta de 4,34%. Analistas do UBS BB destacaram que outubro pode marcar o ponto de inflexão da estratégia de monetização de IA da companhia.
• HYPERA ON subiu 3,38%, tendo como pano de fundo relatório de analistas do Itaú BBA reiterando recomendação "outperform" e elevando preço-alvo da ação de R$32 para R$33.
• AMBEV ON avançou 1,6%, revertendo as perdas da abertura, quando chegou a cair 1,6%, e fornecendo um contrapeso positivo relevante.