O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira, reflexo de movimentos de realização de lucro e reprecificação de risco, com as ações dos bancos entre as principais pressões negativas.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 1,65%, a 192.888,96 pontos, após marcar 192.687,29 na mínima e 196.132,06 na máxima do dia.
O volume financeiro somou R$26,59 bilhões.
Na visão do responsável pela área de renda variável da Criteria, Thiago Pedroso, há um efeito do ajuste ao movimento dos ADRs brasileiros na véspera, quando a B3 não abriu por feriado, mas Wall Street funcionou normalmente.
"Mas ele sozinho não justifica o movimento", ponderou, acrescentando que o Ibovespa "esticou bem", principalmente as bluechips. Mesmo com o ajuste negativo nesta sessão, o Ibovespa ainda acumula alta de 19,71% no ano. Em abril, valoriza-se 2,90%.
"Parece uma correção normal, e possivelmente com algum nível de saída de estrangeiro", acrescentou Pedroso.
Números da B3 mostram saída líquida de capital externo da bolsa paulista no final da semana passada. Até o dia 15, abril registrava uma entrada líquida de R$14,6 bilhões. No acumulado até o dia 17, esse saldo passou para R$11,5 bilhões.
Para o analista Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, a bolsa também refletiu uma reprecificação mais estrutural de risco, com o Brasil descolando do exterior e reagindo a fatores próprios, principalmente juros e percepção fiscal.
"A alta do petróleo, impulsionada pela instabilidade geopolítica, recoloca pressão inflacionária no cenário global e contamina diretamente a curva de juros, o que explica a queda mais intensa em bancos e ativos domésticos", pontuou.
Lima destacou que as ações da Petrobras acabaram funcionando como amortecedor pontual, refletindo o ciclo da commodity, mas sem força para alterar a direção do índice.
"No fundo, o mercado começa a migrar de um cenário de corte de juros para um ambiente de maior cautela, com inflação mais resiliente, prêmio de risco mais alto e impacto direto sobre o crescimento."
No cenário geopolítico, as perspectivas de avanço em um acordo entre Estados Unidos e Irã continuam cercadas de incertezas. O presidente dos EUA, Donald Trump, prorrogou na terça-feira indefinidamente o cessar-fogo com o Irã para permitir que os dois países continuem as negociações de paz. Mas manteve o bloqueio ao comércio marítimo iraniano.
O Irã, por sua vez, afirmou nesta quarta-feira que capturou dois navios porta-contêineres que tentavam sair do Golfo Pérsico pelo Estreito de Ormuz. O presidente do Parlamento e importante negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, disse também que um cessar-fogo completo só faria sentido se não fosse violado por bloqueio norte-americano aos portos iranianos.
O preço do barril do petróleo voltou a ultrapassar US$100.
DESTAQUES
• ITAÚ UNIBANCO PN recuou 2,89%, em sessão bastante negativa para bancos no Ibovespa, com BRADESCO PN cedendo 2,95%. Mesmo com as perdas, Itaú ainda acumula alta de quase 16% e Bradesco sobe mais de 14% no ano. Ainda no setor, BANCO DO BRASIL ON perdeu 3,62%, em sessão véspera de evento do BB com analistas e investidores. Investidores também já estão na expectativa da divulgação dos balanços do primeiro trimestre dos bancos brasileiros, atentos principalmente ao comportamento da inadimplência. SANTANDER BRASIL UNIT, que abre o calendário do setor no dia 29, recuou 3,37% nesta quarta-feira.
• VALE ON fechou em baixa de 1,7%, mesmo em dia de alta dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado em Dalian encerrou a sessão do dia com alta de 0,32%, a 786,5 iuanes (US$115,32) a tonelada. Na véspera, os ADRs da mineradora recuaram cerca de 2% em Nova York.
• PETROBRAS PN subiu 1,38% e PETROBRAS ON avançou 1,86%, acompanhando o movimento dos preços do petróleo no exterior, onde o barril sob o contrato Brent fechou com elevação de 3,48%, a US$101,91. No setor, PETRORECONCAVO ON valorizou-se 3,82% e PRIO ON ganhou 1,74%, enquanto BRAVA ENERGIA ON fechou com acréscimo de 0,61%.
• EMBRAER ON recuou 6,01%, refletindo em parte ajustes à queda de mais de 3% de seu ADR na véspera, em mais um pregão de correção, embora o papel ainda acumule alta de 3,56% no mês.
• IRB(RE) ON perdeu 5,09%, após o ressegurador divulgar lucro líquido de R$11,5 milhões em fevereiro, abaixo dos R$30,2 milhões registrados no mesmo mês do ano passado, com piora no resultado de underwriting e no índice de sinistralidade.