O Ibovespa subiu 1,39%, aos 168.498 pontos, impulsionado por fortes dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos e pelo otimismo com balanços corporativos, como os ganhos expressivos de Cosan, CSN e Sabesp. Apesar do alívio em Wall Street, investidores locais mantêm a cautela e monitoram as sinalizações do presidente Lula sobre responsabilidade fiscal e contenção de gastos, prevendo volatilidade contínua até a apresentação de medidas concretas para as contas públicas.
O Ibovespa fechou em alta nesta sexta-feira, em sessão embalada por uma bateria de resultados corporativos e viés positivo em Wall Street, enquanto investidores seguem na expectativa de sinalizações sobre os planos do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva para a economia. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,39%, a 168.498,45 pontos, alcançando 169.073,04 na máxima e recuando a 165.909,74 na mínima do dia. O volume financeiro no pregão somou R$32,06 bilhões. Na semana, o Ibovespa acumulou um acréscimo de 0,34%, mas segue distante do patamar de antes do resultado da eleição presidencial no país, quando trabalhava acima de 205 mil pontos. Na visão do analista Matheus Villela, da gestora de patrimônio Aware Investments, o movimento do Ibovespa refletiu uma combinação de ajuste técnico e melhora do humor externo.Villela destacou que o principal gatilho veio dos Estados Unidos, onde dados do mercado de trabalho reforçaram a leitura de uma economia resiliente, o que apoiou a recuperação dos pregões em Wall Street após forte venda em tecnologia da véspera. A economia dos EUA abriu 165 mil postos de trabalho no mês passado, após 60 mil em setembro, de acordo com o Ministério do Trabalho. Economistas consultados pela Reuters previam criação de 65 mil empregos, após 29 mil em setembro divulgado anteriormente. A taxa de desemprego caiu para 4,1%. Em Nova York, o S&P 500 fechou em alta de 0,31%. De acordo com Glauber Sá, fundador da Akros Consultoria, embora os números do reforcem a possibilidade de alta dos juros pelo banco central dos EUA, a percepção de que aquela economia continua robusta e o mercado de trabalho permanece sólido apoiou os ativos. No Brasil, Villela citou que há também um componente de expectativa em razão do pronunciamento de Lula no domingo e de algum sinal de compromisso com as contas públicas. A fala do presidente está prevista para as 20h30. "Mas ainda é cedo para falar em virada de tendência: o investidor quer ver medidas concretas de contenção de gastos, e a discussão delas só deve avançar na segunda quinzena de novembro. Até lá, a volatilidade tende a continuar elevada." Na véspera, Lula aproveitou a primeira reunião do novo Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (Cimce) para destacar a importância da responsabilidade fiscal e jurídica para atrair investidores para o Brasil. Nesta sexta-feira, Lula disse que seu governo tem responsabilidade fiscal, mas que também leva em conta a responsabilidade social . DESTAQUES• COSAN ON avançou 10,8%, no terceiro pregão seguido de alta. Na véspera, o jornal Valor Econômico publicou que a companhia está mantendo tratativas para vender 25% da sua controlada Compass para uma gestora de investimentos ligada ao governo de Abu Dhabi. COMPASS ON, que não está no Ibovespa, subiu 5,21%.
• CSN ON disparou 8,89%, melhor desempenho entre as mineradoras e siderúrgicas na B3. Na semana passada, a companhia anunciou acordo de exclusividade de 10 dias para a venda da sua subsidiária de cimentos à chinesa Huaxin, por um "enterprise value" (EV) de R$12,7 bilhões.
• SABESP ON subiu 6,99%, após a maior empresa de saneamento do Brasil reportar lucro líquido de R$1,39 bilhão no terceiro trimestre, acima das previsões do mercado, embora 35,7% abaixo do obtido um ano antes, impactado por juros da dívida usada para financiar investimentos.
• LOJAS RENNER ON avançou 4,2%, com investidores também analisando o balanço divulgado na véspera, com queda de cerca de 12% no lucro, além de decisão da companhia de descontinuar projeção de receita. Executivos da varejista afirmaram que a empresa tem feito ajustes em sua operação para melhorar o desempenho de vendas nos últimos meses do ano. Nos primeiros negócios, a ação chegou a cair 6%.
• ULTRAPAR ON recuou 2,71%, completando 11 pregões com fechamento negativo. Analistas do JPMorgan cortaram nesta semana o preço-alvo dos papéis para R$40,50 ante R$42,50 por ação, após atualizarem estimativas para terceiro trimestre, enquanto reiteraram recomendação neutra.
• VIVARA ON caiu 1,49%, em meio a uma recepção negativa ao balanço publicado na véspera, com lucro líquido de R$114,8 milhões no terceiro trimestre, queda de 38,7% em relação ao mesmo período do ano passado. A receita bruta cresceu 7,7%, mas a margem bruta recuou para 65,0%, ante 71,3% no terceiro trimestre de 2025. No pior momento, os papéis desabaram 10,6%, tocando uma mínima intradia desde março de 2025.
• FLEURY ON cedeu 1,04%, com o resultado do terceiro trimestre também no radar, com lucro líquido de R$264,3 milhões, alta de 42,9% na comparação com o mesmo intervalo de 2025. No setor, DASA ON disparou 10,51%, após o lucro líquido das operações continuadas saltar 78,7% no terceiro trimestre, para R$173 milhões.
• VALE ON avançou 2,19%, mesmo em pregão de variações modestas dos futuros do minério de ferro na China e descolado do comportamento de mineradoras no exterior.
• ITAÚ UNIBANCO PN subiu 1,4%, em pregão positivo para o setor no Ibovespa. BRADESCO PNavançou 3,12%, BANCO DO BRASIL ON valorizou-se 3,88% e BTG PACTUAL UNIT ganhou 3,04%. SANTANDER BRASIL UNIT foi exceção com declínio de 1,08%.
• PETROBRAS PN cedeu 1,28%, em pregão de variações modestas no fechamento dos preços do petróleo no mercado internacional.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)