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Ibovespa avança com alta em mercados externos; investidor aguarda Lula

6 nov 2026 - 18h45
Resumo
O Ibovespa subiu 1,39%, aos 168.498 pontos, impulsionado por fortes dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos e pelo otimismo com balanços corporativos, como os ganhos expressivos de Cosan, CSN e Sabesp. Apesar do alívio em Wall Street, investidores locais mantêm a cautela e monitoram as sinalizações do presidente Lula sobre responsabilidade fiscal e contenção de gastos, prevendo volatilidade contínua até a apresentação de medidas concretas para as contas públicas.

O Ibovespa fechou em alta nesta sexta-feira, em sessão embalada por uma bateria de resultados ‌corporativos e viés positivo em Wall Street, enquanto investidores seguem na expectativa de sinalizações sobre os planos do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva para a economia.    Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,39%, a 168.498,45 pontos, alcançando 169.073,04 na máxima e recuando a 165.909,74 na mínima do dia.    O volume financeiro no pregão somou R$32,06 bilhões.    Na semana, o Ibovespa acumulou um acréscimo de 0,34%, mas segue distante do patamar de antes do resultado da eleição presidencial no país, quando trabalhava acima de 205 mil pontos.    Na visão do ⁠analista Matheus Villela, da gestora de patrimônio Aware Investments, o movimento do Ibovespa refletiu uma combinação de ajuste técnico e melhora do humor externo.Villela destacou que ‌o principal gatilho veio dos Estados Unidos, onde dados do mercado de trabalho reforçaram a leitura de uma economia resiliente, o que apoiou a recuperação dos pregões em Wall Street após forte venda em tecnologia da véspera.    A economia dos EUA abriu 165 mil postos de trabalho no ‌mês passado, após 60 mil em setembro, de acordo com o Ministério do Trabalho. Economistas ‌consultados pela Reuters previam criação de 65 mil empregos, após 29 mil em setembro divulgado anteriormente. A taxa de desemprego caiu ⁠para 4,1%.    Em Nova York, o S&P 500 fechou em alta de 0,31%.    De acordo com Glauber Sá, fundador da Akros Consultoria, embora os números do reforcem a possibilidade de alta dos juros pelo banco central dos EUA, a percepção de que aquela economia continua robusta e o mercado de trabalho permanece sólido apoiou os ativos.    No Brasil, Villela citou que há também um componente de expectativa em razão do pronunciamento de Lula no domingo e de algum sinal de compromisso com as contas públicas. A fala do presidente está prevista para as 20h30.    "Mas ainda é cedo ‌para falar em virada de tendência: o investidor quer ver medidas concretas de contenção de gastos, e a discussão delas só deve avançar na segunda ‌quinzena de novembro. Até lá, a volatilidade tende ⁠a continuar elevada."    Na véspera, Lula ⁠aproveitou a primeira reunião do novo Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (Cimce) para destacar a importância da responsabilidade fiscal e jurídica para atrair investidores para ⁠o Brasil.    Nesta sexta-feira,  Lula disse que seu governo tem responsabilidade fiscal, mas que ‌também leva em conta a responsabilidade social . DESTAQUES•    COSAN ON ‌avançou 10,8%, no terceiro pregão seguido de alta. Na véspera, o jornal Valor Econômico publicou que a companhia está mantendo tratativas para vender 25% da sua controlada Compass para uma gestora de investimentos ligada ao governo de Abu Dhabi. COMPASS ON, que não está no Ibovespa, subiu 5,21%.

•    CSN ON disparou 8,89%, melhor desempenho entre as mineradoras e siderúrgicas na B3. Na semana passada, a companhia anunciou ⁠acordo de exclusividade de 10 dias para a venda da sua subsidiária de cimentos à chinesa Huaxin, por um "enterprise value" (EV) de R$12,7 bilhões.

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•    SABESP ON subiu 6,99%, após a maior empresa de saneamento do Brasil reportar lucro líquido de R$1,39 bilhão no terceiro trimestre, acima das previsões do mercado, embora 35,7% abaixo do obtido um ano antes, impactado por juros da dívida usada para financiar investimentos.

•    LOJAS RENNER ON avançou 4,2%, com investidores também analisando o balanço divulgado na véspera, com queda de cerca de 12% no ‌lucro, além de decisão da companhia de descontinuar projeção de receita. Executivos da varejista afirmaram que a empresa tem feito ajustes em sua operação para melhorar o desempenho de vendas nos últimos meses do ano. Nos primeiros negócios, a ação chegou a cair 6%.

•    ULTRAPAR ON recuou ⁠2,71%, completando 11 pregões com fechamento negativo. Analistas do JPMorgan cortaram nesta semana o preço-alvo dos papéis para R$40,50 ante R$42,50 por ação, após atualizarem estimativas para terceiro trimestre, enquanto reiteraram recomendação neutra.

•    VIVARA ON caiu 1,49%, em meio a uma recepção negativa ao balanço publicado na véspera, com lucro líquido de R$114,8 milhões no terceiro trimestre, queda de 38,7% em relação ao mesmo período do ano passado. A receita bruta cresceu 7,7%, mas a margem bruta recuou para 65,0%, ante 71,3% no terceiro trimestre de 2025. No pior momento, os papéis desabaram 10,6%, tocando uma mínima intradia desde março de 2025.

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•    FLEURY ON cedeu 1,04%, com o resultado do terceiro trimestre também no radar, com lucro líquido de R$264,3 milhões, alta de 42,9% na comparação com o mesmo intervalo de 2025. No setor, DASA ON disparou 10,51%, após o lucro líquido das operações continuadas saltar 78,7% no terceiro trimestre, para R$173 milhões. 

•    VALE ON avançou 2,19%, mesmo em pregão de variações modestas dos futuros do minério de ferro na China e descolado do comportamento de mineradoras no exterior. 

•    ITAÚ UNIBANCO PN subiu 1,4%, em pregão positivo para o setor no Ibovespa. BRADESCO PNavançou 3,12%, BANCO DO BRASIL ON valorizou-se 3,88% e BTG PACTUAL UNIT ganhou 3,04%. SANTANDER BRASIL UNIT foi exceção com declínio de 1,08%.

•    PETROBRAS PN cedeu 1,28%, em pregão de variações modestas no fechamento dos preços do petróleo no mercado internacional.

(Edição Alberto Alerigi Jr.)

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