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Grupo EMS lança sua segunda caneta emagrecedora no mercado nacional, com preço a partir de R$ 333

Produto batizado como SemaClique, da Brace Pharma, chega nesta sexta-feira, 6, às farmácias, para disputar mercado que já movimenta mais de R$ 12 bilhões em 12 meses

6 nov 2026 - 10h51
Resumo
A Brace Pharma, do Grupo EMS, lançou a caneta emagrecedora SemaClique, seu segundo análogo à base de semaglutida no Brasil, com preços a partir de R$ 333 por unidade no combo. A novidade aproveita o fim da patente de fórmulas como Ozempic para ampliar o acesso e reduzir custos com dosagem ajustável. O movimento busca atender à forte demanda nacional, combater o mercado ilegal e forçar a queda de preços no setor, o que também pode viabilizar a futura distribuição do tratamento pelo SUS.

A farmacêutica Brace Pharma, ligada ao Grupo EMS, de capital brasileiro, lança nesta sexta-feira, 6 de novembro, a sua primeira caneta emagrecedora no mercado brasileiro. Chamado de SemaClique, o medicamento de semaglutida, da classe da molécula do hormônio GLP-1 (sigla em inglês para peptídeo similar ao glucagon 1), surge após o vencimento, em março deste ano, no Brasil, das patentes dos conhecidos Ozempic e Wegovy (da dinamarquesa Novo Nordisk), usados para controle de diabetes e emagrecimento.

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A novidade da Brace terá preço de R$ 464,81 por unidade ou R$ 333,00 a unidade no combo com três canetas, o que, em média, deve servir para tratamento por um período de três meses. O produto é o segundo lançado por uma empresa do Grupo EMS, do empresário Carlos Sanchez.

A farmacêutica EMS foi a primeira a lançar um análogo dos medicamentos de referência de semaglutida no Brasil, com o Ozivy. "O SemaClique tem o mesmo preço do Ozivy", afirma Marcelo Neri, diretor- executivo do Grupo EMS, que compreende as empresas Brace Pharma, Ofta e USK. "Esse mercado está muito aquecido e existe um oceano azul a explorar. Já estamos operando com nossa capacidade produtiva máxima."

SemaClique, caneta emagrecedora da Brace Pharma, do Grupo EMS
SemaClique, caneta emagrecedora da Brace Pharma, do Grupo EMS
Foto: Divulgação/Brace Pharma / Estadão

A diferenciação do produto da Brace, que está sediada em Campinas, no interior de São Paulo, e atua em medicamentos com prescrição médica voltados em especial para serem receitados por cardiologistas e endocrinologistas, está no posicionamento de marca, a partir do próprio nome escolhido.

"Estamos atrelados à facilidade de uso por meio de dosagem por cliques. Temos pesquisa que mostra que 70% dos médicos prescrevem número de cliques", diz Neri. Ao permitir diferentes possibilidades de dosagem em uma única caneta de aplicação semanal, o SemaClique facilita ter ajustes graduais, individualizados e orientados pelo médico, sem a necessidade de adquirir novos produtos a cada mudança de dose.

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A chegada de medicamentos análogos de semaglutida abre espaço para uma queda de preços que amplia o tamanho do mercado oficial e evita o aumento do consumo de canetas importadas ilegalmente, além de obrigar o barateamento dos medicamentos de referência da categoria GLP-1, como o Monjauro, da Eli Lilly, baseado em tirzepatida, da terceira geração de remédios dessa classe.

A primeira foi da liraglutida, molécula do Victoza e do Saxenda, indicada para as mesmas finalidades e cuja patente expirou em 2024; e a segunda, da semaglutida. Há uma procura, a cada geração, por melhorar a aplicabilidade dos produtos, que surgiram para tratamento de diabetes e ficam mais adaptados para a restrição alimentar, e por diminuir os efeitos colaterais. A patente do princípio ativo tirzepatida vence apenas em 2036.

Segundo pesquisa da McKinsey com mais de 2 mil consumidores brasileiros, os remédios já alcançavam cerca de 6% da população adulta no início deste ano e o preço ainda era uma das principais barreiras para novos usuários. Quase metade dos não usuários entrevistados disse ter interesse em começar a usar os medicamentos se houvesse redução entre 35% e 50%. Com base nessa resposta e em outros dados analisados, a McKinsey estimou que a entrada de opções mais baratas, entre genéricos e medicamentos análogos, poderia elevar em até três vezes a penetração dos produtos no País.

No acumulado de 12 meses, o mercado formal de restrição calórica diária, incluindo semaglutida e tirzepatida, já movimentou R$ 12,4 bilhões, com crescimento de 80,6%, em relação ao período anterior, segundo a Close Up. O aumento de venda de unidades foi de 67,3%, para 12,8 milhões de volume.

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"O mercado está muito elástico, a ponto de nem conseguirmos fazer uma previsão de vendas que não fique rapidamente desatualizada", diz Neri. "Também vemos muitos concorrentes chegando agora e eles estão acompanhando o nosso posicionamento de preço, tanto entre os que entram agora quanto os que chegarão no ano que vem."

Após o fim da patente da semaglutida, em março, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já aprovou a venda de 20 novas canetas emagrecedoras.

Com o aumento da concorrência e o aumento do volume de consumo, a tendência é de um gradual barateamento das canetas. E isso também pode ajudar a viabilizar a oferta dos produtos no Sistema Único de Saúde (SUS), que virou promessa da campanha eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para sua reeleição.

Segundo Neri, os acionistas da EMS têm participado de conversas com o governo, inclusive para negociar a faixa de preço e ajudar o Ministério da Saúde a definir critérios para as pessoas que seriam habilitadas a receber os medicamentos, em especial, as com maior grau de obesidade.

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