O Ministério de Minas e Energia abriu consulta pública para diagnosticar e expandir a infraestrutura de recarga de veículos elétricos no Brasil, impulsionado pela alta histórica nas vendas do setor. Com investimentos de montadoras que somam R$ 130 bilhões até 2030, a iniciativa visa mapear barreiras regulatórias e mitigar impactos na rede elétrica, já que o consumo deve chegar a 15 TWh em 2036 e os quase 30 mil pontos de recarga atuais ainda se concentram fortemente nas regiões Sul e Sudeste.
O Ministério de Minas e Energia abriu nesta sexta-feira uma consulta pública para subsidiar um diagnóstico visando a expansão da infraestrutura nacional de recarga de veículos elétricos, diante da crescente adoção desses automóveis neste ano, com as vendas disparando frente ao registrado em 2025.
A pasta afirmou que busca coletar informações para traçar um panorama da atividade, identificar barreiras legais e regulatórias, além de formular ajustes normativos e diretrizes para integrar a infraestrutura de recarga às redes de distribuição de energia e aprimorar o planejamento energético.
Os emplacamentos de veículos leves eletrificados no Brasil somaram 381.609 entre janeiro e setembro deste ano, cerca de 70% acima das vendas registradas em todo o ano de 2025, apontou o ministério, com base em dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).
"Em setembro a participação de veículos eletrificados alcançou 19,8% das vendas de veículos leves, ritmo que tem superado as projeções oficiais disponíveis", disse a pasta, em nota técnica.
A eletrificação da frota tende a constituir uma tendência estrutural, e não conjuntural, apontou o governo, citando como um dos fatores para o crescimento expressivo das vendas o ingresso de montadoras estrangeiras, que têm anunciado investimentos em produção e montagem de veículos no país.
A chinesa BYD está avançando com a nacionalização de componentes e deu início aos pedidos de licenças para dobrar a capacidade anual de produção de sua fábrica brasileira para 600.000 veículos, segundo reportagem da Reuters publicada nesta sexta-feira.
Outras grandes montadoras instaladas no Brasil, como Stellantis, Volkswagen, Toyota e GWM, têm nos veículos elétricos e híbridos parte importante de seus planos de investimento, que somam cerca de R$130 bilhões até 2030, segundo levantamentos realizados pelo governo brasileiro.
Já do lado da infraestrutura de recarga, o país possui atualmente 29.866 pontos públicos e semipúblicos, citou o ministério, com base em dados da ABVE/Tupi Mobilidade.
Porém a localização dessas infraestruturas, que condicionam o uso dos veículos elétricos, ainda é muito concentrada. São Paulo reúne 26,3% dos pontos de recarga do país. O Estado e os outros três da região Sul respondem por metade do total (50,7%). No outro extremo, os sete da região Norte somam apenas 3,4% do total.
Com relação à energia necessária para os carregamentos de veículos, o governo entende que a eletromobilidade passará a representar um segmento relevante.
A expectativa é que o consumo de energia para eletromobilidade alcance aproximadamente 15 TWh em 2036, "ordem de grandeza comparável à de outras novas cargas relevantes para a expansão da demanda elétrica considerada no planejamento setorial".
Além do volume de energia consumida pelo setor, a forma como essa demanda se distribui no espaço e no tempo também representará um desafio para o setor elétrico brasileiro.
"Em especial, a recarga de veículos elétricos pode provocar concentrações localizadas de demanda em áreas urbanas, condomínios residenciais, garagens corporativas, centros logísticos e corredores rodoviários, com possíveis reflexos sobre os circuitos de distribuição e transformação que os atendem", aponta a nota técnica.
A consulta pública do ministério fica aberta para contribuições por um prazo de 30 dias.