Governadora do DF critica 'falta de vontade' do governo federal em ajudar BRB: 'Acho triste'

Celina Leão afirma que procurou Executivo federal para tratar do caso, mas que até agora não teve resposta

15 abr 2026 - 13h31

BRASÍLIA - A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, afirmou nesta quarta-feira, 15, que solicitou ajuda ao governo federal para a questão do Banco de Brasília (BRB), mas que até agora não houve resposta. Ela criticou a postura do Executivo Federal.

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"Acho que não tem a boa vontade de fazer. Já pedimos, pedimos inclusive agendas", disse à imprensa, ao deixar evento do Lide em Brasília. "É bem claro que não quer fazer nenhuma movimentação, o que eu acho triste. Você tem que ter certa institucionalidade quando é presidente da República, quando é governadora", disse.

Celina emendou que é uma governadora de direita, mas que, toda vez que a pauta for Brasília, estará disponível para conversar, afirmou que esperava uma postura semelhante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas que isso não aconteceu.

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão
Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília / Estadão

A governadora chegou a mencionar que o governo federal teria prestado assistência a outro banco em crise nesta semana, o Digimais.

Ainda sobre a questão do BRB, Celina disse que ainda não há novidades sobre um possível empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

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Ela também esclareceu que a auditoria feita no banco foi enviada para os órgãos de controle — Polícia Federal, Ministério Público e Procurador-Geral da República (PGR). Detalhou ainda que as causas cíveis sobre os fluxos financeiros do BRB ficarão em primeira instância. Apenas as causas criminais serão remetidas ao Supremo Tribunal Federal (STF). "O que não tinha a ver com a questão criminal, o próprio Supremo já colocou na decisão que isso vai ser tratado em primeira instância", disse.

Formas de sair do risco de insolvência

A governadora afirmou que o BRB tem várias formas de sair do risco de insolvência e aliviar a pressão sobre sua estrutura de capital, ao comentar a situação da instituição após desdobramentos do caso Master.

Segundo ela, o banco é "vítima" de toda a situação e a condução do tema envolve medidas de governança e auditorias em curso, mas parte das informações não pode ser divulgada por envolver negociações e questões de sigilo bancário e para se respeitar as negociações em andamento.

"Quando a gente fala de um banco, de movimentação financeira, você precisa preservar, inclusive, negociações que estão sendo feitas (...) Mas o banco tem várias formas de sair desse momento e irá sair", disse.

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Celina afirmou que, apesar das limitações de informação divulgadas, todas as medidas necessárias estão sendo tomadas pelo presidente do Banco, Nelson de Souza, com transparência, austeridade e compromisso da controladora e da nova gestão do BRB.

Ela afirma que o momento exige cautela nas tratativas de informações, dada a sensibilidade do mercado financeiro às informações que são divulgadas sobre o processo financeiro.

"Muitas vezes o silêncio é para preservar a integridade do banco. E, sobre as auditorias que estão sendo entregues, o nosso zelo é tão grande que a auditoria não passou nem para mim, que sou controladora. A auditoria passou somente para os órgãos de controle."

Separação Master x BRB

A governadora afirmou que é necessário distinguir o que diz respeito ao Banco Master e o que envolve o BRB no âmbito das apurações federais sobre operações no mercado financeiro.

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"É bom e necessário que se faça uma separação do que é Master e do que é BRB. O BRB é um banco sólido, tem uma história em Brasília. A nossa missão, neste momento, é cuidar para que ele continue com a missão de ser um banco de desenvolvimento regional", afirmou.

As declarações ocorrem em meio ao avanço de apurações sobre operações estruturadas no mercado financeiro envolvendo o Master, que passaram a ser alvo de questionamentos por órgãos de controle e investigações em curso. Por ser controlado pelo governo do Distrito Federal, o BRB está no centro do debate político, o que amplia a repercussão do caso e pressiona autoridades locais a defenderem a imagem da instituição.

Celina voltou a sustentar que o BRB permanece sólido e que o foco do governo local é preservar a instituição. "O BRB é um banco sólido, o BRB tem uma história nessa cidade", afirmou, reiterando que a missão do Executivo local é assegurar a continuidade do banco como agente de desenvolvimento regional.

Corrupção

A governadora afirmou que um dos objetivos de sua gestão à frente do DF é "cortar qualquer tipo de desvio ou corrupção que possa ter existido ou que existiu em algum momento".

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Celina enfatizou que quer "fechar a torneira". Para isso, afirmou, está fazendo mudanças em seu time, com o objetivo de trazer pessoas técnicas com "condições de enfrentar esse momento". Como exemplo, mencionou o recém-empossado secretário da Fazenda, Valdivino Oliveira.

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