Galípolo confirma intimação da PF para depor em outubro sobre Banco Master

Polícia Federal intimou também o ex-presidente do BC Roberto Campos Neto e o dono do BTG Pactual, André Esteves, para prestar depoimento sobre o caso

24 set 2026 - 14h44
Resumo
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, confirmou que prestará depoimento à PF em outubro, como testemunha, sobre a fiscalização do Banco Master. A apuração também intimou Roberto Campos Neto e André Esteves. Galípolo afirmou ainda ter soubido pela imprensa sobre pagamentos de Daniel Vorcaro a irmão de servidor do BC. Ele negou interferência política na autarquia e desvinculou a atuação do órgão no caso do BRB da falta de diretores, reiterando que o BC segue normas técnicas estritas.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, confirmou nesta quinta-feira, 24, que recebeu a intimação da Polícia Federal (PF) para prestar depoimento sobre a fiscalização do Banco Master.

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Galípolo disse não se recordar da data exata do depoimento, mas que ele deve ocorrer no início de outubro. O presidente do BC deu a declaração durante participação em entrevista à imprensa sobre o Relatório de Política Monetária (RPM) do terceiro trimestre.

A Polícia Federal determinou a intimação de Galípolo e do ex-presidente da instituição Roberto Campos Neto para prestar depoimento sobre a fiscalização do Banco Master. A PF também ordenou a intimação do dono do BTG Pactual, André Esteves.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo
Foto: Lula Marques/Agência Brasil / Estadão

Os investigadores também vão tomar um novo depoimento do diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino. Todos eles serão ouvidos na condição de testemunhas e, por isso, terão a obrigação de falar a verdade sobre os fatos.

Servidor do BC

Galípolo afirmou que tomou conhecimento pela imprensa de que a empresa de um irmão de um servidor do BC teria recebido pagamentos do banqueiro Daniel Vorcaro. O caso foi revelado pela Folha de S.Paulo nesta quinta-feira, 24.

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Ele observou que o servidor em questão comunicou seus superiores sobre a existência do contrato do irmão com Vorcaro.

Questionado sobre a possibilidade de existirem outros casos envolvendo Vorcaro e servidores da autarquia e se haveria, por exemplo, comentários sobre isso "nos cafezinhos" do BC, Galípolo afirmou que produzir verdade é muito mais caro do que produzir informação.

Pontuou que muitas informações que circulam nem sempre são verdadeiras e citou que ele próprio foi alvo de uma campanha de difamação no final do ano passado.

BRB

O presidente do Banco Central afirmou que não pode responder sobre "novidades" do caso do Banco de Brasília (BRB) porque a autoridade monetária não comenta instituições individualmente.

"A gente não comenta as instituições específicas e, como comentei, existe uma regra, um processo de supervisão, e a gente vem seguindo essa regra", afirmou.

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Galípolo também foi questionado se a condução que a autoridade monetária tem dado ao BRB está relacionada às ausências na diretoria. Atualmente, o BC trabalha com dois diretores a menos do que a composição oficial.

Ele negou haver relação e pontuou que, no ano passado, as diretorias estavam completas e o BC seguiu o mesmo rito. "Obrigação do BC é tentar, em todos os casos, uma solução de menor custo", acrescentou.

Além disso, Galípolo afirmou que há "zero" influência política na instituição e que o ciclo de decisões do BC tem descasamento em relação ao ciclo político do País. "Sobre a questão fiscal e eleitoral, eleitoral zero. É um produto total de descasamentos, que é o ciclo político e as decisões do Banco Central", completou.

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