NOVA YORK E SÃO PAULO - Presidentes de diversos bancos centrais manifestaram total solidariedade ao Federal Reserve (Fed) e ao presidente da instituição, Jerome Powell, em comunicado conjunto nesta terça-feira, 13, após o chefe do BC americano se tornar alvo de investigação do Departamento de Justiça americano (DoJ). O comunicado conta com a assinatura do presidente do BC brasileiro, Gabriel Galípolo.
"A independência dos bancos centrais é um pilar fundamental da estabilidade de preços, financeira e econômica, no interesse dos cidadãos que servimos. Portanto, é crucial preservar essa independência, com pleno respeito ao Estado de Direito e à responsabilidade democrática", dizem os banqueiros centrais, no manifesto.
No comunicado, os colegas de Powell afirmam que ele "serviu com integridade", focado no mandato e com um "compromisso inabalável" com o interesse público. "Para nós, ele é um colega respeitado e altamente estimado por todos que trabalharam com ele", afirmam.
Além de Galípolo, a declaração foi assinada pela presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, e o do Banco da Inglaterra (BoE), Andrew Bailey. Os homólogos da Suécia, Dinamarca, Suíça, Austrália, Canadá, Coreia do Sul também demonstraram apoio, assim como o presidente do Conselho de Administração do Banco de Compensações Internacionais (BIS), François Villeroy de Galhau, e o gerente-geral da instituição, Pablo Hernández de Cos.
A declaração dos banqueiros centrais se soma às realizadas por ex-presidentes do Fed Ben Bernanke e Janet Yellen e por senadores republicanos, que saíram em defesa da autonomia e independência do BC dos EUA após a nova ofensiva do governo do presidente Donald Trump contra Powell. O movimento acontece após a Casa Branca ter aberto, em julho do ano passado, uma linha de ataque legal contra Powell ao apontar supostas irregularidades na reforma da sede da autoridade, orçada em US$ 2,5 bilhões.
O BIS, uma espécie de "pai dos bancos centrais", também reforçou o coro em defesa da independência das autoridades monetárias diante do novo ataque ao Fed, em nota.