A empresa francesa de energia Voltalia poderá reduzir sua força de trabalho em cerca de 10% nos países em que atua, incluindo no Brasil, disse a companhia nesta quinta-feira.
A medida faz parte de um plano maior de corte de custos e envolve "diversas geografias, incluindo França, Portugal e Brasil", segundo relatório que acompanha a divulgação dos resultados financeiros de 2025.
A Voltalia, que atua no segmento de geração renovável de energia, registrou um prejuízo líquido de 128,1 milhões de euros em 2025, acima da cifra negativa de 20,9 milhões em 2024, impactado por custos relacionados ao plano de transformação dos negócios já em andamento e também por cortes de produção de suas usinas, principalmente no Brasil.
Chamados de "curtailment", os cortes de geração alcançaram um total de 1.040 GWh nas usinas renováveis da Voltalia no Brasil em 2025, ou o equivalente a 23% da produção de energia da Voltalia no mercado brasileiro.
Os cortes de geração de energia se tornaram a principal dor de cabeça para as elétricas com ativos eólicos e solares no Brasil, já que o problema cresceu rapidamente desde meados de 2023 e vem levando a perdas de receita milionárias para as empresas.
As restrições de produção renovável são impostas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) principalmente por questões de segurança, para garantir o equilíbrio da rede elétrica, e resultam sobretudo de uma sobreoferta de energia.
Na divulgação de resultados, a Voltalia destacou uma lei aprovada no Brasil no ano passado que garante ressarcimentos retroativos a geradores por cortes de geração. Segundo a empresa, esses reembolsos, que ainda dependem de regulamentação e análise técnica, poderão chegar a mais de 20 milhões de euros para a companhia.
"Espera-se que essa compensação se materialize a partir de 2026, enquanto continuam as discussões com as autoridades sobre os mecanismos aplicáveis a futuros cortes de geração, especialmente aqueles relacionados ao desequilíbrio entre oferta e demanda, com o objetivo de melhorar a previsibilidade e a estabilidade regulatória para todo o mercado", disse a Voltalia.