Planejamento financeiro costuma envolver aposentadoria, reserva de emergência, seguros, investimentos e organização do patrimônio. Mas existe uma etapa que ainda fica fora do radar de muitas famílias: preparar financeiramente o que acontece depois da morte. Além dos recursos que serão deixados aos herdeiros, há despesas imediatas, burocracias e decisões que podem pesar no orçamento em um momento de fragilidade emocional.
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Uma pesquisa nacional realizada pela Icatu Seguros, em parceria com a Conversion, agência especializada em dados, SEO e inteligência de comportamento digital, mostra que a preocupação com a finitude está presente entre os brasileiros, mas ainda não se converte, na mesma proporção, em planejamento.
Segundo o levantamento, 67% dos entrevistados afirmam pensar na morte com alguma frequência: 47% “de vez em quando” e 20% “com frequência”. Apesar disso, apenas 12% dizem ter seguro de vida. Outros 43% afirmam já ter conversado com a família sobre o tema, mas sem necessariamente transformar a conversa em uma organização financeira efetiva.
“O que a pesquisa mostra é que o problema não está na falta de consciência, mas na dificuldade de transformar essa reflexão em organização prática. O seguro de vida entra justamente como uma ferramenta para reduzir incertezas em momentos críticos, sejam eles morte, doença grave ou afastamento temporário do trabalho”, afirma Luciana Bastos, diretora de produtos de vida da Icatu Seguros.
Dentro dessa organização, os custos relacionados à própria despedida são outro ponto que costuma ser ignorado. Hoje, um funeral pode custar, em média, cerca de R$ 5 mil, sem considerar despesas com jazigo ou cremação.
Entre os itens que podem fazer parte da contratação de um plano estão urna funerária, procedimentos de preparação do corpo, traslado, taxas, documentação, ornamentação da urna e coroas de flores. Dependendo das escolhas da família, o valor pode aumentar com outros serviços.
Para Daniel Arantes, diretor do Cemitério Memorial Parque das Cerejeiras, localizado na Zona Sul de São Paulo, o problema não está apenas no custo, mas no fato de que a família frequentemente precisa tomar decisões financeiras em um momento de forte abalo emocional.
"A morte ainda é um tema cercado de negação. Quando evitamos essa conversa, também deixamos de nos preparar para ela. Muitas famílias precisam tomar decisões complexas, em poucas horas e com um impacto emocional muito evidente, o que pode levar a escolhas precipitadas e gastos maiores do que o necessário", afirma.
Segundo o executivo, planejar a despedida não significa apenas contratar antecipadamente um serviço funerário ou adquirir um jazigo. A preparação pode envolver preferências pessoais e religiosas, documentos, escolha entre cremação e sepultamento, existência de jazigo, tipos de homenagem e informações que facilitem a tomada de decisões pelos familiares.
“Planejar é uma maneira de deixar orientações para quem ficará. Não retira a tristeza da despedida, mas pode evitar que, junto com ela, a família tenha que descobrir às pressas o que fazer, o que a pessoa gostaria ou como resolver cada detalhe”, afirma Arantes.