O FBI acusou hackers norte-coreanos ligados ao grupo Lazarus pelo roubo recorde de US$ 6,3 bilhões da Binance, ocorrido no fim de outubro. Os criminosos tentam lavar os fundos via conversão para Ether, enquanto autoridades pedem o bloqueio de 500 endereços suspeitos. Donald Trump relativizou a culpa de Pyongyang, alegando investigações em curso. A Binance suspendeu saques temporariamente, garantiu que os clientes não terão prejuízos e já cobriu 90% das perdas com recursos próprios.
O ataque aconteceu por volta de 29 de outubro e foi atribuído ao grupo TraderTraitor, que, segundo os investigadores, está ligado ao grupo de hackers norte-coreano Lazarus.
Depois do roubo, os criminosos começaram a converter os ativos em Ether, a criptomoeda da rede Ethereum. O objetivo seria dificultar o rastreamento do dinheiro e preparar novas etapas de lavagem por meio de plataformas de finanças descentralizadas.
Para tentar impedir a movimentação dos valores, o FBI divulgou cerca de 500 endereços digitais usados pelos hackers e pediu às empresas do setor que bloqueiem transações ligadas a essas contas.
O caso, porém, ganhou um componente político. O presidente americano, Donald Trump, colocou em dúvida a responsabilidade da Coreia do Norte. Segundo ele, os Estados Unidos ainda estão investigando e não sabem se Pyongyang está por trás do ataque.
O valor roubado impressiona também quando comparado a outros ataques. Em fevereiro de 2025, o mesmo grupo foi responsabilizado pelo roubo de US$ 1,5 bilhão, cerca de R$ 8 bilhões, da plataforma Bybit. O ataque à Binance é aproximadamente quatro vezes maior.
Empresa promete arcar com prejuízos
A Binance suspendeu os saques logo depois do ataque para tentar conter as perdas. Neste domingo (1°), começou a liberar novamente os saques de forma gradual.
A empresa afirma que os clientes não terão prejuízo. A Binance diz ter usado recursos próprios para recompor cerca de 90% do valor roubado e está tentando recuperar os 10% restantes.
O episódio reforça uma preocupação crescente no mercado de criptomoedas: mesmo as maiores plataformas do setor continuam sendo alvos de ataques capazes de movimentar bilhões de dólares em poucos dias.
com AFP