Fabricantes chinesas de baterias se unem a brasileiras para ampliar disputa em leilão

31 ago 2026 - 11h23
(atualizado às 11h35)
Resumo
Fabricantes chinesas de baterias, como Jinko ESS e CATL, firmaram parcerias com as brasileiras UCB Power e Moura para nacionalizar sistemas e disputar o leilão inédito de energia em dezembro. A estratégia visa cumprir requisitos de conteúdo local e acessar financiamentos como o BNDES. O certame recebeu recorde de cadastros para reforçar a segurança energética do país com o avanço das renováveis, mas enfrenta risco de judicialização devido a disputas sobre o rateio dos custos da contratação.

Fabricantes chinesas de ‌sistemas de armazenamento de energia, como Jinko ESS e CATL, estão fechando parcerias com empresas brasileiras do segmento para nacionalizar projetos e garantir uma participação maior no leilão inédito para a tecnologia, marcado para dezembro.

A Jinko ESS, do grupo JinkoSolar Holding Co., anunciou ⁠nesta segunda-feira um memorando de entendimento (MoU) com a UCB Power para ‌explorar a nacionalização de sistemas de armazenamento de energia.

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A ideia é que os projetos desenvolvidos em parceria possam atender aos requisitos ‌de conteúdo local colocados para uma das ‌duas contratações de baterias para o setor elétrico brasileiro, a ⁠do dia 2 de dezembro, destinada exclusivamente para baterias "nacionais".

O sistema de armazenamento de energia poderá ser considerado "nacional" mesmo contendo células importadas, já que o Brasil não tem capacidade de produção desse componente fundamental para as baterias. Já a nacionalização envolveria o restante do ‌sistema: "packs" de baterias, software de gerenciamento, inversores e outras infraestruturas.

"A nacionalização também ‌poderá facilitar o ⁠acesso a alternativas ⁠de financiamento disponíveis no Brasil, incluindo linhas do BNDES", afirmou Vinicius Berná, diretor-executivo ⁠comercial e de novos negócios ‌da UCB Power, em ‌nota.

Na mesma linha, a chinesa CATL anunciou na semana passada uma parceria estratégica com a Moura, fabricante brasileira tradicional do segmento, para participação conjunta no leilão de dezembro.

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"Essa colaboração combina as ⁠soluções avançadas de armazenamento de energia da CATL com a profunda expertise local da Moura, contando com o apoio de um segundo parceiro estratégico, líder de mercado em inversores no país, e visando a produção local que ‌atenda aos requisitos de conteúdo local do leilão", disseram as empresas, em comunicado.

Os anúncios da Jinko ESS e CATL não mencionam ⁠investimentos potenciais na industrialização de baterias no Brasil.

O primeiro leilão de baterias do Brasil recebeu cadastramento recorde, de mais de 296 gigawatts (GW) em projetos.

Além da disputa para baterias nacionais, haverá uma segunda concorrência, em 4 de dezembro, para todo tipo de empreendimento, sem exigência de conteúdo local.

O certame é amplamente aguardado pelo setor elétrico brasileiro, já que ampliará o leque de recursos de segurança energética do Brasil em meio ao forte crescimento das fontes renováveis de energia. Mas corre o risco de ser judicializado, devido a uma disputa sobre quem arcará com os custos da contratação desses sistemas.

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