O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), afirmou no documento em que confirma o tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros que essa porcentagem pode ser reduzida ou aumentada, a depender da resposta brasileira à sanção.
O USTR justificou a decisão citando o que considera "práticas comerciais injustas", entre elas a preferência por meios de pagamento eletrônicos nacionais (em referência ao Pix), o desmatamento na Amazônia, punições a empresas americanas de redes sociais e tarifas menores do Brasil para outros parceiros comerciais que não os Estados Unidos.
Em um trecho do documento, o USTR afirma que pode diminuir as tarifas caso o Brasil adote uma medida que "reduza os ônus ou restrições ao comércio dos EUA", pois uma tarifa "nesse nível não seria mais adequada".
Por outro lado, se a atuação do Brasil for oposta e restringir mais o comércio com os EUA, o órgão ameaça subir a tarifa, pois a punição já aplicada não seria suficiente. O USTR citou especificamente o aumento em tarifas aduaneiras para produtos americanos como uma medida restritiva, e afirmou que ainda pode aplicar outras medidas "corretivas".
O governo brasileiro repudiou o tarifaço e afirmou que "iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade" e "retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC)". Também culpou a família Bolsonaro pelas medidas dos americanos.
A Lei de Reciprocidade Econômica permite que o País responda a medidas unilaterais adotadas por países ou blocos econômicos que impactem negativamente a competitividade internacional brasileira. Assim, ela permite que o governo tarife de volta os produtos americanos que entrem em território brasileiro, caso assim deseje.
"Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso País", afirma nota da Secretaria de Comunicação do governo federal. "Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil. O Brasil não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio. Apesar disso, nunca deixamos a mesa de negociação para defender os interesses nacionais", completa.
Em 2025, o governo Trump já havia anunciado tarifas de 10% sobre produtos de todos os países que fossem vendidos para os EUA, e outras maiores para países específicos com os quais os americanos tinham déficits comerciais maiores. Também subiu as tarifas sobre alguns produtos, como aço, automóveis e medicamentos, de forma cumulativa às dos países.
Posteriormente, anunciou tarifas extras de 40% ao Brasil citando motivos parecidos com os anunciados na quarta-feira, 15, além de uma suposta "perseguição" ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Alguns dos principais produtos exportados pelo Brasil foram isentos dessa tarifa posteriormente.