O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que as empresas petrolíferas norte-americanas estão preparadas para entrar na Venezuela e investir para restaurar a produção no país sul-americano, um anúncio que veio poucas horas depois que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi capturado e removido pelas forças dos EUA.
"Vamos fazer com que nossas grandes empresas petrolíferas norte-americanas, as maiores do mundo, entrem no país, gastem bilhões de dólares, consertem a infraestrutura muito quebrada, a infraestrutura de petróleo, e comecem a ganhar dinheiro para o país", disse Trump neste sábado.
Embora a Chevron seja a única grande empresa norte-americana com operações atuais na Venezuela, a Exxon Mobil e a ConocoPhillips, entre outras, têm um histórico marcante no país. O American Petroleum Institute, o maior grupo comercial de petróleo dos EUA, disse neste sábado que está monitorando a situação emergente.
"Estamos acompanhando de perto os acontecimentos envolvendo a Venezuela, inclusive as possíveis implicações para os mercados globais de energia", disse um porta-voz do API à Reuters.
A Chevron, que exporta cerca de 150.000 barris de petróleo bruto por dia da Venezuela para a Costa do Golfo dos EUA, disse que está focada na segurança e no bem-estar de seus funcionários, além da integridade de seus ativos.
"Continuamos a operar em total conformidade com todas as leis e regulamentos relevantes", disse um porta-voz da Chevron em uma resposta por email a perguntas.
As principais empresas de serviços para campos petrolíferos, SLB, Baker Hughes, Halliburton e Weatherford não responderam imediatamente aos pedidos de comentários. A Exxon e a Conoco não responderam imediatamente às perguntas da Reuters.
Os planos de Trump de fazer com que as grandes empresas petrolíferas dos EUA entrem na Venezuela e façam o "petróleo fluir" serão prejudicados pela falta de infraestrutura, que exigirá muitos anos de investimentos pesados, disseram os analistas.
"Ainda há muitas perguntas que precisam ser respondidas sobre a situação do setor petrolífero venezuelano, mas está claro que serão necessários dezenas de bilhões de dólares para dar uma guinada nesse setor", disse Peter McNally, chefe global de analistas setoriais da Third Bridge, acrescentando que pode levar pelo menos uma década para que as grandes petrolíferas ocidentais se comprometam com o país.
Enquanto isso, o embargo dos EUA a todo o petróleo venezuelano continua em pleno vigor, disse Trump. Ele disse aos repórteres que as forças militares dos EUA permanecerão em posição até que as exigências dos EUA sejam totalmente atendidas.
"A armada norte-americana continua posicionada e os EUA mantêm todas as opções militares até que as exigências dos Estados Unidos sejam totalmente atendidas e plenamente satisfeitas", disse ele.