Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira, 4, uma série de alianças sobre minerais críticos, o que inclui terras raras, com o México, a União Europeia, e o Japão, após uma reunião ministerial em Washington que reuniu dezenas de países.
Os minerais de terras raras são uma preocupação crescente para os países desenvolvidos, dada a posição dominante da China no setor.
Plano de ação com o México
O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês), anunciou a promulgação do Plano de Ação EUA-México sobre minerais críticos. Sob a ação, os países trabalharão para desenvolver políticas comerciais coordenadas e mecanismos que mitiguem as vulnerabilidades da cadeia de suprimentos de minerais críticos, disse o USTR.
O trabalho ainda incluirá a identificação de minerais críticos específicos de interesse, a exploração de pisos de preços ajustados na fronteira para importações e a consulta sobre como os pisos de preços podem ser incorporados em um acordo plurilateral vinculativo sobre o comércio desses minerais nos próximos 60 dias.
"O anúncio de hoje demonstra o compromisso compartilhado dos Estados Unidos e do México em abordar as distorções do mercado global que deixaram as cadeias de suprimentos de minerais críticos da América do Norte vulneráveis a interrupções", disse em comunicado o Representante Comercial americano, Jamieson Greer.
Segundo Greer, o plano de ação com o México é um passo importante para fortalecer a cooperação bilateral, como a revisão do acordo comercial Estados Unidos-México-Canadá (USMCA).
União Europeia e Japão
Os EUA, União Europeia e o Japão decidiram intensificar a cooperação para reforçar a segurança econômica e nacional por meio do fortalecimento das cadeias globais de suprimento de minerais críticos. O avanço também foi definido na reunião ministerial realizada em Washington, que contou com a participação de representantes de países-membros da UE.
Em comunicado conjunto, foi anunciado que União Europeia e Estados Unidos pretendem concluir, nos próximos 30 dias, um memorando de entendimento bilateral com foco no aumento da segurança das cadeias de minerais críticos. O acordo deverá mapear áreas de cooperação para estimular a demanda e diversificar a oferta, incluindo projetos de mineração, refino, processamento e reciclagem.
O memorando também deverá prever medidas para reduzir riscos de interrupções no fornecimento, promover esforços de pesquisa e inovação e facilitar a troca de informações sobre estoques estratégicos. Segundo o comunicado, o Departamento de Estado liderará o engajamento americano nesse acordo.
O Japão participa da iniciativa mais ampla de coordenação entre as três economias e já mantém um arcabouço próprio com os Estados Unidos. Em outubro de 2025, os líderes americano e japonês assinaram um acordo para garantir o fornecimento de minerais críticos e terras raras por meio de mineração e processamento, cobrindo áreas semelhantes às previstas no memorando entre UE e EUA.
Além disso, Estados Unidos, União Europeia e Japão afirmaram que pretendem desenvolver planos de ação conjuntos e explorar uma iniciativa comercial plurilateral com países de visão semelhante. Essa iniciativa poderá envolver políticas coordenadas para o comércio de minerais críticos, incluindo mecanismos como pisos de preços ajustados na fronteira, mercados baseados em padrões, subsídios para reduzir diferenças de preços ou acordos de compra antecipada.
Argentina no radar
À margem da reunião internacional em Washington, o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, afirmou que a Argentina tem as capacidades necessárias para se tornar produtora de terras raras. "A Argentina não tem apenas capacidade em termos de recursos naturais (...) não apenas para os Estados Unidos, mas para o mundo", afirmou Rubio em entrevista coletiva.
O país sul-americano "também possui conhecimentos em processamento, o que será igualmente de importância crítica", acrescentou.
Os minerais e as terras raras tornaram-se um setor crucial para a fabricação de produtos tecnológicos, de telefones a computadores e satélites, e o governo de Donald Trump transformou essa busca por recursos em um de seus principais objetivos de política econômica externa. A China domina mundialmente a produção e o processamento desses recursos naturais, fruto de uma estratégia de longo prazo.
A Argentina, que mantém estreitos laços econômicos e financeiros com o gigante asiático, sustenta um difícil equilíbrio. O presidente argentino, Javier Milei, fez da aliança geopolítica com Trump seu principal ativo em política externa.
Os Estados Unidos socorreram a Argentina no segundo semestre de 2025, com uma linha financeira de 20 bilhões de dólares (R$ 105,16 bilhões), o que influenciou a campanha das eleições legislativas. / COM AFP