Enel vai propor ao governo corte e replantio de árvores em SP para evitar apagões

23 fev 2026 - 10h57
(atualizado às 11h43)

A Enel quer propor em ‌carta ao governo brasileiro um plano de corte e replantio de árvores na região metropolitana de São Paulo para diminuir a ocorrência de apagões por problemas com cabos da rede elétrica aérea, disse nesta segunda-feira o CEO global da companhia, Flavio Cattaneo.

Logo da Enel em uma subestação em São Paulo, Brasil
26 de março de 2025
REUTERS/Amanda Perobelli
Logo da Enel em uma subestação em São Paulo, Brasil 26 de março de 2025 REUTERS/Amanda Perobelli
Foto: Reuters

Em coletiva de imprensa, o executivo afirmou que, nesse plano, seriam criados "corredores ⁠de energia elétrica" que evitariam apagões como os que têm acontecido em fortes ‌ventanias na região, que levam à queda de árvores e danificam os cabos aéreos da distribuidora.

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"Ou instalamos rede subterrânea, o que significa investir nisso, ou cortamos ‌as árvores, o que, obviamente, tem implicações ambientais. ‌Esta é a nossa proposta, esta é a nossa sugestão, tem ⁠uma carta que queremos enviar ao presidente Lula e ao ministro, em que direi: vejam, podemos cortar as árvores e plantar, em vez disso, árvores menores", explicou Cattaneo.

"E ainda teremos o mesmo número de árvores que tínhamos antes, apenas árvores menores", acrescentou.

Cattaneo já havia comentado mais cedo nesta segunda-feira sobre os problemas da ‌Enel São Paulo, para a qual se discute a possibilidade de caducidade da concessão ‌após recorrentes problemas com ⁠fornecimento de energia diante ⁠de eventos climáticos extremos.

Segundo ele, o fato de a rede elétrica na região ser aérea ⁠torna praticamente impossível evitar apagões durante ‌ventanias, algo que, em suas ‌palavras, apenas "Jesus Cristo" poderia resolver.

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O executivo voltou a reforçar ainda que, na visão da companhia, a Enel tem cumprido com os requisitos que constam no contrato de distribuição de energia em São Paulo, de modo que não ⁠haveria base legal para a concessão ser encerrada antecipadamente.

"Então, essencialmente e legalmente, acho que estamos certos. Não temos medo algum. Agora, se as decisões não forem tomadas com base no mérito, mas sim por motivações políticas, bem, o que posso dizer?".

A Enel tem defendido que ‌a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) não pode incluir em sua análise sobre eventual caducidade da concessão o apagão de dezembro do ano passado, quando a ⁠atuação da empresa foi novamente classificada como insatisfatória pela fiscalização do órgão regulador. Segundo pareceres contratados pela Enel, isso seria ilegal e inconstitucional.

O CEO global da Enel disse ainda acreditar que o Brasil não irá tomar uma decisão "sem racionalidade" e que confia em uma solução que permitirá a continuidade dos investimentos da elétrica no país.

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"Mas o Brasil não vai insistir em algo que não tenha racionalidade, nenhuma lógica. Seria um péssimo exemplo, depois de ter assinado o Mercosul", disse o executivo, citando o recente acordo firmado entre o bloco sul-americano e a União Europeia.

Cattaneo ressaltou ainda que a Enel não está interessada em vender a distribuidora paulista, uma especulação que surgiu no mercado diante da possibilidade de perda do contrato pela companhia italiana.

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