Enel contesta Aneel e diz que não houve piora do desempenho no último apagão em SP

27 fev 2026 - 15h32

A distribuidora Enel São Paulo ‌encaminhou contestação à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre a fiscalização do regulador que apontou desempenho insatisfatório da empresa no apagão de dezembro do ano passado, afirmando que a avaliação não traz "critérios objetivos" e que não se pode afirmar que houve piora ⁠do desempenho em relação a anos anteriores.

Logo da Enel em uma subestação em São Paulo, Brasil
26 de março de 2025
REUTERS/Amanda Perobelli
Logo da Enel em uma subestação em São Paulo, Brasil 26 de março de 2025 REUTERS/Amanda Perobelli
Foto: Reuters

A análise técnica da Aneel ‌sobre a última grande ocorrência de falta de luz na região metropolitana de São Paulo, após a passagem de ‌um ciclone extratropical, indicou que houve "fragilidades na ‌capacidade de resposta adotada" pela Enel São Paulo.

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Entre os ⁠problemas enxergados pela Aneel, estão "baixa produtividade" das equipes da Enel no tratamento de interrupções de energia, redução significativa de equipes durante o período noturno e da madrugada, e indícios de falhas ou falta de manutenção nas redes.

Em sua resposta, a Enel São ‌Paulo defende que a avaliação foi feita "sem amparo em parâmetros objetivos ‌e sem indicar ⁠qualquer norma específica ⁠que teria sido descumprida pela distribuidora".

Segundo a companhia, embora o evento climático ⁠de dezembro de 2025 tenha ‌sido inédito e tenha ‌apresentado maior severidade e complexidade, a resposta da empresa para restabelecer os serviços aos mais de 4 milhões de consumidores afetados foi "significativamente mais rápida e eficiente do que em ⁠eventos anteriores".

Pelos números da Enel, entre 2023 e 2025 houve um avanço de 19,1 pontos percentuais na taxa de restabelecimento aos consumidores em até 24 horas após o evento climático, passando de 61,1% para 80,2% ‌do total de clientes interrompidos.

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A empresa apontou ainda "inadequação metodológica" para avaliar a produtividade de suas equipes, além de ausência de um ⁠parâmetro técnico ou regulatório que aponte uma proporção ideal de veículos que deveriam ser mobilizados para o evento.

"Por tais razões, a Enel SP solicita a reavaliação das conclusões constantes da nota técnica, a fim de que seja reconhecido que o desempenho da distribuidora foi compatível com a magnitude do evento", escreveu a empresa, pedindo em seguida o arquivamento do processo.

A diretoria da Aneel marcou para 24 de março sua análise final sobre a recomendação de caducidade do contrato da Enel São Paulo, em análise que deverá abranger o desempenho da distribuidora em apagões em 2024 e 2025.

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