A presidente do Federal Reserve de Cleveland, Beth Hammack, disse na sexta-feira que, embora espere que as pressões inflacionárias diminuam, se elas não baixarem neste ano, o banco central dos Estados Unidos poderá ter que considerar uma política monetária mais restritiva para garantir que as pressões sobre os preços recuem para 2%.
"Minha expectativa é que a inflação comece a avançar em direção à nossa meta de 2%. Não acho que chegaremos lá até o final deste ano, mas acho que faremos um progresso razoável", disse Hammack em entrevista à Reuters.
Dadas as perspectivas atuais, "os juros devem permanecer inalterados por... um bom tempo", disse Hammack. Mas ela acrescentou que, se as pressões sobre os preços não recuarem, o Fed poderá precisar tomar novas medidas para garantir que isso aconteça.
"Se a inflação não estiver progredindo em direção à nossa meta no segundo semestre deste ano, como espero que aconteça, isso pode ser um motivo para que precisemos ser mais restritivos do ponto de vista da política monetária", disse Hammack.
A presidente do banco disse que é possível, mas não garantido, que a inflação diminua para a meta de 2% até 2027, mas não é necessário atingir a meta para apoiar uma política monetária mais flexível. Em vez disso, o Fed pode reduzir os juros se houver forte confiança de que a inflação está a caminho de atingir a meta.
Hammack afirmou que ainda não está claro o que a alta dos preços do petróleo, ligada à guerra do presidente Donald Trump contra o Irã, significa para a inflação futura.
É "muito cedo para saber" como tudo isso vai se desenrolar, disse Hammack. Quando se trata do choque do petróleo, "tento analisar qual é a magnitude e qual é a persistência. Então, isso é algo que dura uma semana? Dura dois meses? Dependendo do que você sabe, qual é esse prazo, (isso) determinará um pouco mais do impacto econômico subjacente", disse ela.
A autoridade disse que é possível que um choque prolongado eleve a inflação e enfraqueça fatores como crescimento e contratações, e o Fed terá que avaliar essas circunstâncias antes de decidir sobre uma resposta pela política monetária.