O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta quarta-feira que a reunião desta semana entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, terá em pauta o combate ao crime organizado e temas relacionados ao comércio bilateral e tarifas de importação.
Lula embarca na tarde desta quarta para Washington para encontrar o presidente norte-americano em reunião prevista para quinta-feira. Durigan acompanhará o presidente na viagem.
"Aumentar essa cooperação para combater o crime organizado está na nossa pauta, tratar das questões envolvendo tarifa e comércio bilateral está na nossa pauta", afirmou Durigan em entrevista ao programa "Bom dia, Ministro", do CanalGov.
No âmbito comercial, os EUA chegaram a impor tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, mas as taxações de Trump acabaram derrubadas pelo Judiciário norte-americano. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) do país, no entanto, está conduzindo uma investigação sobre possíveis práticas desleais do Brasil, o que pode eventualmente gerar aplicação de tarifas.
Ao rebater pontos mencionados pelo USTR nessa investigação, Durigan afirmou que o Brasil tem diminuído o desmatamento ilegal e disse que o governo está à disposição para dar explicações sobre o Pix, argumentando ser preciso afastar "algum lobby indevido" que exista em relação ao sistema de pagamento.
Sem mencionar diretamente o contato entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e autoridades da administração de Trump, Durigan disse ser importante que o governo brasileiro se coloque cada vez mais como interlocutor da administração do país norte-americano.
"O interlocutor do governo dos Estados Unidos não é nenhuma outra figura que não o presidente Lula e seus ministros", afirmou.
"Estou muito otimista para essa conversa com o presidente Trump, nessa linha de que não se pode ter interferência no Brasil, indevida, e nem nos Estados Unidos, o debate tem que ser institucional, respeitoso e construtivo."
Na área do crime organizado, Durigan lembrou que um acordo entre Brasil e EUA permite a troca de dados e ressaltou que o governo tem informado ao país norte-americano sobre riscos de presença de armas e drogas em contêineres vindos dos EUA.
MINERAIS CRÍTICOS
Em outro tema de interesse dos EUA, o ministro reafirmou que o governo brasileiro negocia com o Congresso Nacional um marco para minerais críticos que valorize a soberania nacional e preveja que o processo industrial desse material seja feito no Brasil.
Durigan defendeu a implementação de um fundo garantidor para incentivar a entrada de investimentos no país.
"Claro que o investimento estrangeiro no Brasil é bem-vindo, mas nós queremos fazer o adensamento produtivo, nós queremos fazer a industrialização no Brasil", disse.
"Os minerais críticos também devem ser reconhecidos como bem da União, como bem da população brasileira."