O dólar iniciou esta segunda-feira próximo da estabilidade ante o real, enquanto no exterior a moeda norte-americana sobe ante outras divisas de países emergentes, após o Irã fechar novamente o Estreito de Ormuz e rejeitar nova rodada de negociações com os EUA.
Às 9h26, o dólar à vista subia 0,05%, aos R$4,9862 na venda.
Na B3, o contrato de dólar futuro para maio -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- avançava 0,10%, aos R$4,9950.
Nesta segunda-feira entre o fim de semana e o feriado de Tiradentes no Brasil, o foco do mercado está mais uma vez voltado para o exterior, onde o cessar-fogo entre EUA e Irã está em xeque.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que representantes do país chegarão ao Paquistão na noite desta segunda-feira para uma nova rodada de negociações com o Irã. Ao mesmo tempo, ameaçou atacar usinas de energia e pontes iranianas se Teerã não aceitar um acordo para dar fim à guerra.
O Irã rejeitou o ultimato de Trump e declarou sua ausência na segunda rodada de negociações, além de voltar a fechar o tráfego de navios no Estreito de Ormuz, por onde circulam 20% do petróleo mundial. Na terça-feira termina o prazo de cessar-fogo entre EUA e Irã.
A reação dos mercados globais é negativa nesta manhã, com o petróleo Brent em alta, perto dos US$95 o barril, os principais índices de ações em baixa na Europa e o dólar avançando ante várias moedas de países emergentes, como a rupia indiana, o rand sul-africano e o peso mexicano.
No Brasil, porém, a divisa dos EUA mostra maior acomodação até o momento.
No boletim Focus divulgado nesta manhã pelo Banco Central, a mediana das projeções dos economistas para o dólar no fim deste ano passou de R$5,37 para R$5,30. A projeção para a taxa básica Selic no fim de 2026 passou de 12,50% para 13,00% e no fim de 2027, de 10,50% para 11,00%. Na prática, os economistas passaram a ver menos espaço para cortes da Selic, hoje em 14,75% ao ano, em função da guerra.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos -- cuja taxa hoje está na faixa de 3,50% a 3,75% -- vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos últimos meses.
Na sexta-feira, o dólar à vista encerrou com queda de 0,20%, aos R$4,9836.
Às 11h30, o Banco Central realiza leilão de 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 4 de maio.
(Edição de Eduardo Simões e Isabel Versiani)