O dólar fechou a terça-feira quase estável, em leve alta de 0,10%, cotado a R$ 5,1543, acompanhando a cautela externa e o cenário político nacional. O mercado operou em compasso de espera diante de pesquisas eleitorais divergentes para a presidência entre Lula e Flávio Bolsonaro, além de monitorar a reunião do STF sobre eventual apuração envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. Para garantir liquidez sem alterar as cotações, o Banco Central realizou um leilão simultâneo de US$ 1 bilhão.
O dólar oscilou em margens estreitas no Brasil e fechou a terça-feira próximo da estabilidade, com investidores monitorando com atenção o noticiário político, enquanto no exterior a moeda norte-americana também teve variações modestas ante outras divisas pares do real.
O dólar à vista encerrou a sessão com variação positiva de 0,10%, a R$5,1543. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 6,10%.
Às 17h05, o dólar futuro para outubro -- atualmente o mais negociado no mercado brasileiro -- subia 0,15% na B3, aos R$5,1715.
Nova pesquisa CNT/MDA, divulgada no início da sessão, destoou de outros levantamentos eleitorais mais recentes ao mostrar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Planalto.
Na simulação de segundo turno, Lula tem 47,3% das intenções de voto e Flávio soma 40%. Como a margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, o petista lidera fora da margem de erro. Na segunda-feira, pesquisas da Quaest e do instituto Nexus mostraram empate técnico entre os dois.
No mercado de predição Polymarket, sediado nos Estados Unidos, Flávio tem 52% das apostas de vitória, contra 45% de Lula.
"As pesquisas mais recentes e o Polymarket indicam vitória de Flávio Bolsonaro. Naturalmente que tudo pode mudar, faltam 45 dias para o segundo turno. Em todo caso, começa uma onda de otimismo no mercado", comentou pela manhã o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, em relatório a clientes.
"Devemos lembrar o caso das eleições de 2014: a primeira pesquisa de segundo turno mostrou Aécio à frente de Dilma, mas a presidente levou no final e o mercado decepcionou."
Com possíveis implicações para a disputa presidencial, os ministros do STF estão reunidos nesta terça-feira para discutir possível abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes no caso Master.
Em manifestação entregue mais cedo ao presidente da corte, Edson Fachin, Moraes negou irregularidades e disse ser vítima de investigação ilegal, com motivação político-eleitoral e de vingança, por ter sido o relator do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe.
No mercado, uma avaliação recorrente é a de que notícias negativas para Moraes -- como sua suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master -- podem contribuir para a campanha de Flávio ao Planalto.
Nesta terça-feira, porém, nova pesquisa CNT/MDA destoou de outros levantamentos ao mostrar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente de Flávio.
Na simulação de segundo turno, Lula tem 47,3% e Flávio soma 40%. Como a margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, o petista lidera fora da margem de erro. Na segunda-feira, pesquisas da Quaest e do instituto Nexus mostraram empate técnico entre os dois.
Neste cenário de indefinição eleitoral, o dólar à vista variou entre a mínima de R$5,1268 (-0,43%) às 9h48 e a máxima de R$5,1634 (+0,28%) às 12h02.
"O mercado está aguardando a resolução do que vai acontecer no STF. O mercado está de lado, ninguém quer apostar em nada", comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik.
O exterior também limitava a volatilidade. Isso porque o dólar apresentava oscilações modestas ante divisas pares do real como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano.
Às 17h08, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,16%, a 99,645.
No início da sessão, o Banco Central vendeu, em dois leilões simultâneos, US$1 bilhão em moeda à vista e 20.000 contratos no valor de US$1 bilhão de swap cambial reverso -- neste caso, uma operação cujo efeito é equivalente à compra de dólares no mercado futuro.
As duas operações simultâneas são conhecidas como "casadão" pelos investidores e dão liquidez ao mercado. O efeito delas sobre as cotações do dólar é, em tese, nulo, já que o BC vendeu US$1 bilhão em uma ponta e comprou US$1 bilhão em outra.
No fim da manhã, o BC vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de outubro.