Dívida pública federal cai 2,34% em março e colchão de liquidez encolhe

27 abr 2026 - 14h39
(atualizado às 16h09)

A dívida pública federal do Brasil caiu 2,34% ‌em março em relação ao mês anterior, a R$8,633 trilhões, informou nesta segunda-feira o Tesouro Nacional, que pisou no freio nas emissões diante das incertezas com a guerra no Irã, promoveu no período a maior intervenção no mercado de títulos de sua história e registrou vencimentos elevados em papéis.

No período, a dívida pública mobiliária interna teve baixa de 2,46%, a R$8,302 trilhões, enquanto a dívida pública ⁠federal externa avançou 0,61% e atingiu R$331,6 bilhões.

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Houve no mês uma emissão total de R$93,3 bilhões, com ‌o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro, Helano Dias, afirmando que o Tesouro tende a reduzir a colocação de títulos em momentos de volatilidade, como a gerada pelo conflito no Oriente ‌Médio.

Por outro lado, o resgate total do mês foi de R$395,6 ‌bilhões diante de uma expressiva torre de vencimento de títulos, mas também por conta ⁠de uma recompra recorde de títulos feita pelo Tesouro em meio à forte pressão gerada pela guerra no Irã, retirando cerca de R$49 bilhões de títulos do mercado.

Associados, os dois movimentos geraram um resgate líquido de títulos no valor de R$302,3 bilhões, valor apenas parcialmente neutralizado por uma incorporação de juros no valor de R$93,0 bilhões na dívida interna, o que contribuiu para a redução da dívida ‌pública no mês passado.

Com o movimento forte de resgates, a reserva de liquidez --colchão de recursos para gestão da ‌dívida pública-- passou de R$1,192 ⁠trilhão em fevereiro para ⁠R$885 bilhões em março, uma queda nominal de 25,7%. O valor é suficiente para quitar 5,69 meses de vencimentos ⁠de títulos, contra 6,41 registrados um mês antes.

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De acordo ‌com Dias, a queda da reserva ‌é fruto do grande volume de vencimentos de títulos, algo normal do calendário do Tesouro. Segundo ele, o governo "emitiu bastante" em abril, o que fará o colchão recuperar volume significativamente.

"A gente está num nível bastante confortável, está próximo de seis meses agora, e vai passar para ⁠oito meses", disse, ressaltando que o patamar considerado prudencial recomenda que o colchão tenha recursos para quitar três meses de vencimentos.

CUSTO EM ALTA

O Tesouro apontou ainda que a intensificação das tensões geopolíticas no Oriente Médio em março elevou a aversão ao risco nos mercados, enquanto a alta do petróleo "reforçou expectativa de manutenção de juros elevados nas principais economias", ‌com os juros futuros apresentando elevação no Brasil.

De acordo com as informações da pasta, o custo médio do estoque da dívida pública federal acumulado em 12 meses teve uma alta no mês ⁠passado, indo de 11,90% ao ano em fevereiro para 12,20% ao ano.

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O custo médio das novas emissões de títulos da dívida interna também subiu, passando de 13,76% ao ano em fevereiro para 13,92% no mês passado.

Em relação ao perfil de vencimentos da dívida pública, o Tesouro informou que o prazo médio do estoque passou de 4,00 anos em fevereiro para 4,10 anos em março.

Em relação a abril, o Tesouro afirmou que perspectivas de um acordo entre Estados Unidos e Irã reduziram a aversão ao risco, com recuperação de mercados emergentes e queda na curva de juros brasileira, apesar de um cenário de volatilidade elevada.

De acordo com Dias, o governo também conseguiu melhorar em abril a composição das emissões. Normalmente mais demandados por investidores em períodos de volatilidade, os títulos atrelados à Selic responderam por 52% das vendas feitas até o momento no mês, uma significativa melhora em relação aos 88% observados em março.

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