RIO - Levantamento interno da Associação Brasileira de Operadores Logísticos (Abol), realizado nesta semana, confirmou o cenário do aumento no preço do diesel em todas as cinco regiões do País. Alguns já enfrentam dificuldade de abastecimento, a exemplo de Santa Catarina, informou a entidade.
O início da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã desencadeou a disparada nos preços do petróleo, o que encareceu os combustíveis.
Em média, o aumento geral percebido é de 20%, alcançando níveis mais elevados em Estados como Rio de Janeiro (até 50%), Bahia (30%), Santa Catarina (até 35%) e São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul (até 25%).
Outros combustíveis, como o bunker (marítimo) e o QAV (aéreo), também registram elevações preocupantes, diz a entidade.
Na logística, segundo a Abol, caso o cenário persista, "os efeitos tendem a se intensificar, com reflexos diretos sobre os fretes e, consequentemente, sobre a inflação e o Custo Brasil".
A associação destacou que os Operadores Logísticos (OLs) desempenham papel essencial na economia, ao integrar atividades de transporte (por qualquer modal), armazenagem e gestão de estoques, atendendo a praticamente todos os setores produtivos.
São responsáveis por viabilizar o abastecimento da população, a fluidez do comércio exterior, a distribuição de medicamentos e vacinas, o escoamento do agronegócio e o suporte contínuo às indústrias.
"No entanto, é um segmento que há muitos anos opera, em muitos casos, com margens reduzidas, fortemente pressionadas por custos com combustíveis, que podem representar até 40% das despesas operacionais totais", afirmou.
"Nesse sentido, é essencial que as medidas temporárias já adotadas pelo governo brasileiro para mitigar esse cenário sejam efetivamente cumpridas por toda a cadeia de abastecimento", acrescentou a entidade, referindo-se à isenção do Pis/Cofins sobre a importação e comercialização de óleo diesel anunciada pelo governo.
De acordo com a Abol, a cada dia Operadores Logísticos relatam defasagens e assimetrias no repasse desses benefícios até os postos de combustível, o que indica que a redução esperada não tem se concretizado. Como resultado, novamente, está havendo elevação contínua dos custos operacionais, com impactos diretos não apenas sobre os fretes, mas também na própria eficiência das operações.
"Soma-se a isso a preocupação com possíveis paralisações de caminhoneiros e aumento do piso mínimo do frete, recentemente atualizado em função do aumento do diesel", explicou a Abol.