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Diesel: 'governo vai precisar elevar subsídio para evitar desabastecimento', diz Adriano Pires

Em entrevista ao Broadcast, o diretor do Cbie disse ainda que o diesel subiu em função do preço do barril de petróleo e após a Rússia cessar exportações

23 jul 2026 - 14h17

A disparada do petróleo tem efeito positivo para as produtoras brasileiras, mas o abastecimento de diesel entrou na pauta do País depois que o preço da margem de refino (crack spread) do derivado descolou da commodity e disparou no mercado internacional. Para o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), Adriano Pires, o governo deve aumentar o subsídio do produto ou o Brasil pode correr o risco de desabastecimento.

"O diesel subiu muito em função do barril do petróleo, que chegou a quase US$ 100 hoje, mas também pela questão da Rússia ter parado de exportar. Esse é o problema do Brasil no curto e médio prazo", disse Pires ao Broadcast.

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Atualmente, o subsídio do governo ao diesel é de R$ 1,12 por litro, enquanto a defasagem do preço de venda da Petrobras nas refinarias era de R$ 2,24 por litro no fechamento desta qaurta-feira, 22, quando o petróleo do tipo Brent fechou a US$ 94 o barril.

Na semana passada, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o diesel importado subiu 13% em relação à semana anterior, e atingiu média de R$ 5,279 por litro, o maior valor em dois meses.

Atualmente, o subsídio do governo ao diesel é de R$ 1,12 por litro
Atualmente, o subsídio do governo ao diesel é de R$ 1,12 por litro
Foto: Daniel Teixeira/Estadão / Estadão

O Brasil tem evitado contaminar o mercado interno com a instabilidade externa do preço do petróleo com um programa de subvenções, redução de impostos e maior produção das refinarias. Até junho, a Petrobras evitou importar diesel, mas retornou ao mercado em julho e já tem cargas para agosto, segundo o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo.

Hoje, o presidente da Abicom voltou a afirmar ao Broadcast que "o abastecimento de julho e de agosto estão garantidos pelos volumes importados, completando as produções nacionais". O parque de refino brasileiro atende entre 70% e 80% da demanda de diesel e, segundo a Petrobras, os planos são de atingir a autossuficiência na produção do produto em 2030.

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No caso da gasolina, não existe a mesma preocupação, já que a produção interna atende praticamente toda a demanda, com necessidade de importação abaixo dos 10%.

Corte

O governo suspendeu parcialmente a subvenção ao diesel, cortando R$ 0,35 por litro do benefício a partir de 1º de julho, depois que indícios de um acordo entre os Estados Unidos e o Irã levaram o preço do petróleo para perto de US$ 70 o barril. Com a retomada do conflito e fechamento de acessos à commodity, os preços voltaram a subir e o tipo Brent operava em alta de quase 7% nesta quinta-feira, cotado a US$ 99,87 o barril.

Segundo a Abicom, o diesel no Brasil está sendo negociado a um preço 57% menor do que a paridade de importação (PPI). Nas refinarias da Petrobras, essa defasagem chega a 71% (Suape).

Ontem, a Acelen, controladora da Refinaria de Mataripe, na Bahia, responsável por 14% do abastecimento do mercado brasileiro, elevou o diesel em cerca de 8% e opera com preços alinhados ao mercado internacional.

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De acordo com o analista de Inteligência de Mercado da Stonex, Bruno Cordeiro, o aumento significativo dos preços do petróleo acaba refletindo os receios extremos do mercado em relação à capacidade de escoamento do petróleo fornecido pelo Oriente Médio.

"Esse receio acaba sendo pautado não só na continuidade do bloqueio no Estreito de Ormuz, como também agora no bloqueio e na suspensão dos fluxos do Estreito de Bab el Mandeb. O bloqueio é promovido pelo grupo Houthi, um grupo militar apoiado pelo Irã e que se localiza no Iêmen", explicou Cordeiro.

Segundo o analista, há uma expectativa de que ocorra uma disrupção de oferta a nível global cada vez mais relevante, que deve se converter em um menor processamento da commodity e, por conta disso, um aumento ainda mais relevante dos crack spreads entre o petróleo e os combustíveis com foco na gasolina e no diesel.

"Já vemos esses diferenciais em patamares muito elevados e é esperado que a gente veja uma extensão desse diferencial conforme as refinarias recebam menos petróleo e não consigam processar todo o volume necessário para atender a demanda a nível mundial", afirmou o analista da Stonex.

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