Os presidentes do Brasil e da Coreia do Sul acertaram nesta segunda-feira, 23, a retomada das negociações para um acordo de livre-comércio entre o país asiático e o Mercosul, tratativas que estavam interrompidas desde 2021.
Após reunião bilateral na capital sul-coreana, o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, e o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, anunciaram ainda um conjunto de entendimentos em áreas como agricultura, cooperação empresarial e comércio de produtos conhecidos como "K-beauty", termo usado para designar cosméticos e itens coreanos de cuidados com a pele.
"Sobre as negociações de livre-comércio entre o Brasil e a República da Coreia, discutimos caminhos para retomar as negociações interrompidas em 2021", afirmou Lula, em entrevista coletiva.
Lee declarou que ambos concordaram que os benefícios da cooperação econômica "devem ser ampliados" aos países vizinhos. "O Brasil é membro-chave do Mercosul. Reiterei a necessidade de relançar as negociações para um acordo de livre-comércio entre a Coreia e o bloco, e o presidente Lula concordou", disse.
Segundo Lula, os dois países lançaram um plano de ação com "iniciativas concretas para os próximos três anos". O presidente destacou que o Brasil é o principal destino dos investimentos sul-coreanos na América Latina e que, com US$ 11 bilhões em comércio, a Coreia do Sul é o quarto parceiro comercial do País na Ásia.
A visita a Seul, afirmou o petista, "conclui um ciclo fundamental da política externa brasileira" em seu terceiro mandato. "Nos últimos três anos, fortalecemos as relações com a Ásia, centro dinâmico da economia mundial. Visitei China, Índia, Indonésia, Malásia e Vietnã", declarou.
Antes da reunião, Lee ressaltou que ele e Lula compartilham trajetórias marcadas por origens humildes e ascensão social. O sul-coreano trabalhou em uma oficina têxtil para ajudar a sustentar a família, enquanto o presidente brasileiro deixou a escola ainda jovem para vender amendoim e engraxar sapatos.
Lula chegou à Coreia do Sul após passagem pela Índia e deve seguir viagem para os Emirados Árabes Unidos./AFP