China diz que comércio no início do ano superou expectativas, mas choques geopolíticos aumentam incertezas

6 mar 2026 - 08h29

O comércio da China começou o ano mais forte ‌do que o esperado, ampliando o impulso do ano passado, mas a piora do cenário geopolítico está gerando novas incertezas para os exportadores e as cadeias de oferta, disseram autoridades nesta sexta-feira.

Pequim divulgou na quinta-feira uma meta de crescimento ligeiramente menor para 2026, de 4,5% a 5%, contra 5% do ano passado, que foi atingida ⁠em grande parte por meio de um aumento de um quinto em seu superávit ‌comercial, para um recorde de US$1,2 trilhão.

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O ministro do Comércio, Wang Wentao, disse nesta sexta-feira que o governo prestou atenção ao superávit do ano passado e às ‌opiniões dos parceiros comerciais.

"Nossa próxima prioridade é promover ‌um desenvolvimento comercial mais equilibrado. As exportações e as importações são como ⁠as duas rodas de um carro - se estiverem equilibradas, o carro funciona melhor e pode ir mais longe", disse Wang a jornalistas à margem da reunião parlamentar anual.

Ele disse que "comércio equilibrado" significa estabilizar as exportações e, ao mesmo tempo, expandir as importações, aproveitando o vasto mercado da China para importar mais produtos agrícolas, bens de consumo ‌de qualidade, equipamentos avançados e componentes importantes. A China tem prometido expandir as importações ‌há anos.

No ano passado, enquanto ⁠as remessas para ⁠os EUA caíram em um quinto, elas aumentaram acentuadamente para o resto do mundo, pois os ⁠produtores conquistaram novos mercados para se protegerem ‌das políticas tarifárias agressivas do ‌presidente dos EUA, Donald Trump.

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As exportações da superpotência manufatureira cresceram 6,6% em dezembro em relação ao ano anterior em termos de valor em dólares, enquanto as importações aumentaram 5,7%.

Wang disse que o comércio da China continuou o impulso do ⁠ano passado em janeiro e fevereiro e que, embora os números oficiais ainda não tenham sido divulgados, o desempenho foi "melhor do que o esperado".

"No entanto, estamos cientes de que o ambiente externo continua severo e complexo, e as pressões sobre o comércio ainda são significativas."

"Nas últimas semanas, ‌a escalada dos conflitos geopolíticos interrompeu a ordem econômica e comercial internacional e as cadeias globais de oferta, tornando as condições ainda mais incertas e instáveis."

Fontes diplomáticas ⁠disseram à Reuters que a China está em negociações com o Irã para permitir a passagem segura de navios de petróleo bruto e gás natural liquefeito do Catar pelo Estreito de Ormuz.

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Na mesma coletiva de imprensa realizada em Pequim, Pan Gongsheng, presidente do banco central da China, disse que a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã provocou um aumento acentuado no sentimento global de aversão ao risco, alimentando a volatilidade acentuada do índice do dólar e de outras moedas.

O banco central manterá a flexibilidade do iuan e incentivará as instituições financeiras a fornecer serviços de hedge para as empresas, disse Pan, acrescentando que mais de 60% do comércio da China está menos exposto às oscilações da taxa de câmbio do que o restante.

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