CES 2026: Fundador da Nvidia aposta na 'IA física' para construir robôs inteligentes em curto prazo

Painel de Jensen Huang na CES também lançou um novo sistema de carros autônomos e um supercomputador para processamento de IA

5 jan 2026 - 21h49
(atualizado às 21h56)

LAS VEGAS - O fundador e CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmou que uma das principais tendências do mundo da tecnologia será o crescimento da inteligência artificial (IA) física - modalidade que torna possível robôs, drones, carros e outras máquinas "pensarem" e interagirem sozinhos com o ambiente ao seu redor, sem interferência humana, a partir das leis da física.

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"A IA física é uma área em que vocês vão ouvir por muitos anos", afirmou Huang, ao subir ao palco nesta segunda-feira, 5, para sua aguardada palestra na Consumer Electronic Show (CES), maior feira de tecnologia do mundo, em Las Vegas, nos Estados Unidos. "É a IA que entende as leis da física e interage com elas". Huang falou em um auditório com 3 mil pessoas, para quem fez suas previsões sobre o futuro da IA e anunciou novos produtos. O Estadão esteve presente no evento.

Jensen Huang anunciou novidades da Nvidia na CES 2026
Jensen Huang anunciou novidades da Nvidia na CES 2026
Foto: Bruna Arimathea/Estadão / Estadão

Embora a IA física seja promissora, ela esbarra na dificuldade de colher e inserir os dados nas máquinas, ponderou o visionário da tecnologia. Por exemplo: um carro autônomo precisa processar milhões de vídeos de viagens para reconhecer as ruas, as sinalizações e os obstáculos.

Mas Huang acredita que tem a solução para esse gargalo: o uso de dados sintéticos. Ou seja: o vídeo de um deslocamento pelas ruas, filmado por uma câmera colocada no painel de um carro, vai ser usado em um segundo sistema de IA, que vai gerar vídeos artificiais com dezenas de novos ângulos do mesmo trajeto. Juntos, o vídeo original e os artificiais vão acelerar o aprendizado do veículo autônomo. A partir dessa base de dados, os veículos serão cada mais capacitados a "pensar sozinhos" em qual decisão tomar no trânsito. "O mundo é imprevisível, tem uma infinidade de situações, e a coleta de dados é lenta. A resposta está no uso de dados sintéticos".

Alpamayo

Dentro desse contexto, a Nvidia anunciou o lançamento de um conjunto de aplicações, batizado de Alpamayo, com ferramentas de previsão e simulação de dados para máquinas, algo semelhante ao raciocínio humano. Ou, de um modo mais técnico: um novo modelo de linguagem de visão e ação (VLA, na sigla em inglês) destinado a veículos autônomos.

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O objetivo é que esses veículos analisem cenários incomuns, dirijam com segurança em ambientes complexos e expliquem suas decisões de direção, é a base para uma autonomia segura e escalável, segundo Huang. "O momento ChatGPT para a IA física chegou, quando as máquinas começam a entender, raciocinar e agir no mundo real", disse.

Huang revelou ainda que a Nvidia começou a produzir um carro autônomo movido por sua tecnologia, o Mercedes-Benz CLA, em parceria com a montadora alemã. O veículo será lançado nos Estados Unidos ainda neste semestre.

Super processamento de IA

Além de um novo sistema de carros autônomos, a Nvidia anunciou nesta segunda-feira o Vera Rubin, novo sistema da empresa para processamento de inteligência artificial. A plataforma, com um supercomputador voltado para data centers, tem 16 racks com um conjunto de 72 GPUs e 36 CPUs cada, além de outros tipos de chipsets que trabalham em aspectos como nível de interferência de tokens e na otimização do tempo utilizado por softwares para desenvolver IA.

Vera Rubin é o novo sistema de processamento de IA em supercomputadores da Nvidia
Foto: Bruna Arimathea/Estadão / Estadão

O sistema é um esforço da Nvidia de se preparar para a próxima onda do mercado de usar IA para resolver problemas que vão além da linguagem - o que o CEO da empresa chama de IA física. É esse conceito que deve trazer leis da física para os sistemas e permitir um avanço maior da robótica em diferentes áreas.

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"O Rubin chega exatamente no momento certo, quando a demanda por computação de IA para treinamento e inferência está disparando", disse Jensen Huang, fundador e CEO da Nvidia. "Com nossa cadência anual de entrega de uma nova geração de supercomputadores de IA — e o codesign extremo em seis novos chips —, o Rubin dá um salto gigante em direção à próxima fronteira da IA."

De acordo com a Nvidia, seis chips fazem parte do sistema central do supercomputador: Vera CPU, Rubin GPU, NVLink 6 Switch, ConnectX-9 SuperNIC, BlueField-4 DPU e o Spectrum-6 Ethernet Switch. Esses componentes vão permitir que a o desenvolvimento de agentes de IA possam ter uma plataforma mais especializada para a sua construção.

Segundo Huang, o sistema Vera Rubin deve colocar o mercado de IA em um novo patamar, já que o supercomputador pode diminuir em até 10 vezes o custo por token em um modelo, se comparado ao Blackwell. Além disso, o novo sistema pode treinar os mesmos modelos que o anterior com cerca de 4 vezes menos GPU.

Outro ponto destacado por Huang na apresentação é o resfriamento de cada rack - o conjunto de processadores que forma uma das unidades do supercomputador. A economia de água e energia na manutenção da temperatura dos equipamentos tem sido um assunto discutido por conta do custo ambiental do desenvolvimento de tecnologia. No sistema Vera Rubin, o CEO afirmou que os racks utilizam água a 45°C, o que diminui a necessidade de grandes resfriadores.

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"Todo esse sistema tem o dobro da eficiência energética, o dobro do desempenho em termos de temperatura. A quantidade de computação é muitas vezes maior do que isso, mas o líquido que entra nele ainda está a 45 °C. Isso nos permite poupar cerca de 6% da energia dos centros de dados mundiais. Portanto, é uma conquista muito grande", afirmou Huang no painel.

O sistema foi nomeado em homenagem à Vera Rubin, astrônoma norte-americana que fez descobertas na área de rotação de galáxias e responsável por fornecer evidências da existência de matéria escura no espaço.

*Os jornalistas viajaram a convite da Lenovo e da CTA, associação organizadora da CES

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