O Brasil encerrou o segundo trimestre com uma taxa de desemprego de 5,4%, a mais baixa para o período na série histórica iniciada em 2012, mas a renda recuou no período.
Os dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram forte queda ante a taxa de 6,1% do primeiro trimestre.
No mesmo período do ano anterior a taxa de desemprego fora de 5,8%. O resultado ficou em linha com a expectativa em pesquisa da Reuters.
Analistas consideram que o mercado de trabalho deve continuar aquecido, com a taxa em níveis baixos para os padrões nacionais, mesmo com uma esperada desaceleração da economia.
"De modo geral, vemos um mercado de trabalho ainda muito robusto, mas com sinais de moderação, apresentando menor dinamismo, reflexo, na nossa visão, do estoque de aperto monetário dos últimos anos. Esperamos a continuidade dessa tendência de moderação, com a taxa de desocupação encerrando 2026 em 5,7%", avaliou André Valério, economista sênior do Inter.
O mercado de trabalho segue sendo ponto de atenção para o Banco Central, uma vez que o desemprego em mínima histórica e renda em níveis altos alimenta o consumo, somando-se aos estímulos fiscais e de crédito do governo, dificultando o controle da inflação.
O BC volta a se reunir na próxima semana para definir a taxa básica de juros Selic, com expectativa de redução de 0,25 ponto percentual, a 14,0% ao ano.
A renda mensal real de todos os trabalhos, entretanto, caiu 1,5% no segundo trimestre, a R$3.738, de R$3,795 nos três meses de janeiro a março, embora isso tenha representado alta de 2,8% ante o mesmo trimestre do ano anterior.
"A renda passou a não crescer mais por causa do aumento da ocupação em setores de nível de instrução mais baixa, produtividade menor e renda menor. Isso afeta o rendimento geral", explicou o analista do IBGE William Kratochwill.
No segundo trimestre, o contingente de desempregados teve queda de 10,9% sobre os três meses anteriores, chegando a 5,861 milhões de pessoas, o que representa ainda uma queda de 6,3% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
O período foi marcado ainda por alta de 1,1% no número de pessoas ocupadas na comparação trimestral e de 0,7% sobre o ano anterior, chegando a 103,057 milhões, novo recorde da série.
Isso se deu, entretanto, principalmente com alta nos empregados do setor privado sem carteira de trabalho assinada. O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado cresceu 0,6% entre abril e junho sobre o primeiro trimestre, enquanto os que não tinham carteira aumentaram 2,2%.
"O que se viu agora também foi um movimento de pessoas saindo da população fora da força de trabalho. Foi uma absorção de mão de obra que estava sem trabalho e que está fora do mercado e voltou a procurar emprego. Até os desalentados se ocuparam", disse Kratochwill.
(Edição de Pedro Fonseca)