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Desemprego até junho recua e fica em 5,4%, menor taxa para o período da série histórica

Resultado medido pelo IBGE para o trimestre ficou dentro do esperado; em igual período do ano passado, a taxa de desemprego estava em 5,8%

30 jul 2026 - 09h18
(atualizado às 10h41)

RIO - O desemprego no Brasil ficou em 5,4% no trimestre encerrado em junho, de acordo com os dados mensais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados nesta quinta-feira, 30, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a menor taxa para o período da série histórica, iniciada em 2012.

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Em igual período de 2025, a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua estava em 5,8%. No trimestre móvel até maio, a taxa de desocupação estava em 5,6%.

O resultado para o trimestre encerrado em junho ficou dentro do esperado. A mediana do mercado, medida pela pesquisa Projeções Broadcast, apontava recuo da taxa de desemprego para 5,4%. As projeções variavam de 5,3% a 5,6%.

A redução da taxa de desocupação no período ocorreu devido ao aumento das contratações e do nível de ocupação, afirmou nesta quinta-feira o analista da pesquisa do IBGE, William Kratochwill.

"A redução na taxa de desocupação reflete uma absorção efetiva da mão de obra disponível pelo mercado", diz. "Embora grande parte do aumento da ocupação tenha vindo da população que estava desocupada, esse movimento não explica a totalidade do saldo de 1,1 milhão de novas ocupações. O restante desse contingente provém da população fora da força de trabalho, que apresentou uma redução de mais de 600 mil pessoas, as quais passaram a integrar a força de trabalho".

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Segundo o economista sênior do Banco Inter, André Valério, ao ajustar pela sazonalidade, a taxa de desocupação apresentou estabilidade pelo segundo mês consecutivo. Além disso, a Pnad de junho também apresentou estabilidade na renda, pela terceira leitura consecutiva. "Com isso, a renda real não está sendo capaz de repor as perdas da inflação mais elevada do segundo trimestre", observa Valério.

A análise do economista reforça um mercado de trabalho ainda muito robusto, mas com sinais de moderação, apresentando menor dinamismo, refletindo o estoque de aperto monetário dos últimos anos no Brasil. O cenário do Inter prevê taxa de desocupação encerrando 2026 em 5,7%.

Nos cálculos do economista Antonio Ricciardi, do Banco Daycoval, a taxa de desemprego passou de 5,4% no trimestre móvel até maio para 5,5% no trimestre móvel encerrado em junho, na série com ajuste sazonal. Ricciardi chama atenção para a terceira queda consecutiva dos rendimentos totais — com queda de 0,3%. "Além disso, mostra que diversos indicadores e setores já trazem uma desaceleração mais acentuada", afirma ele, que destaca os setores da construção civil, comércio, alojamento, alimentação, tecnologia e finanças e administração pública.

A dinâmica da queda nos rendimentos, perda de tração de alguns setores e os dados do Caged, indicando fraqueza na média móvel trimestral, reforçam a perda de fôlego do mercado de trabalho, segundo Ricciardi, movimento que era esperado diante da política monetária contracionista. "Agora, com mais segurança, podemos dizer que o mercado de trabalho está desacelerando", diz.

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O economista do ASA Leonardo Costa afirma considerar que a Pnad segue apontando resiliência no mercado de trabalho, com trajetória de desaceleração gradual. "Embora o Caged tenha apresentado maior volatilidade nos últimos meses, a leitura da Pnad sugere uma acomodação mais suave, com estabilização da ocupação e taxa de desemprego próxima das mínimas históricas", diz.

Para a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, a combinação entre a forte criação de ocupações e a acomodação dos rendimentos é a principal mensagem do resultado da Pnad de junho.

Segundo ela, o mercado de trabalho continua sustentando o consumo das famílias, tanto pelo elevado nível de ocupação quanto pelo crescimento anual da massa de renda. Entretanto, a estabilidade dos rendimentos na margem indica que esse suporte deixou de ganhar intensidade e pode se tornar menos expansivo ao longo do segundo semestre.

Contudo, a economista destaca que a Pnad de junho mostrou um mercado de trabalho mais forte do que a queda isolada da taxa de desemprego sugere. "Isso porque a redução não ocorreu pela saída de pessoas da força de trabalho, mas pela expansão efetiva da ocupação", afirma.

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O resultado, para ela, é compatível com um ciclo de emprego ainda forte, mas mais maduro, no qual a quantidade de ocupações continua avançando, enquanto a qualidade e a abrangência setorial da expansão mostram sinais de acomodação.

À frente, Benedito observa que os próximos meses devem mostrar uma acomodação gradual do emprego, sem deterioração brusca.

No trimestre até junho, faltou trabalho para 14,659 milhões de pessoas no País. A taxa composta de subutilização da força de trabalho diminuiu de 14,3% no trimestre até março para 12,9% no trimestre até junho. O indicador inclui a taxa de desocupação, a taxa de subocupação por insuficiência de horas e a taxa da força de trabalho potencial, pessoas que não estão em busca de emprego, mas que estariam disponíveis para trabalhar. No trimestre até junho de 2025, a taxa de subutilização da força de trabalho estava em 14,4%.

A população subutilizada caiu 10,1% ante o trimestre até março, 1,642 milhão de pessoas a menos. Em relação ao trimestre até junho de 2025, houve um recuo de 11,0%, menos 1,809 milhão de pessoas.

O País registrou crescimento de 1,081 milhão de vagas no mercado de trabalho em apenas um trimestre. A população ocupada ficou em 103,057 milhões de pessoas. Em um ano, esse contingente aumentou em 742 mil pessoas.

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Já a população desocupada diminuiu em 718 mil pessoas em um trimestre, totalizando 5,861 milhões de desempregados. Em um ano, 392 mil pessoas deixaram o desemprego.

A população inativa somou 108,919 milhões de pessoas, 363 mil inativos a mais que no trimestre anterior. Em um ano, houve aumento de 350 mil pessoas.

O nível da ocupação — porcentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar — passou de 58,2% no trimestre encerrado em março para 58,8% no trimestre até junho. No trimestre terminado em junho de 2025, o nível da ocupação era de 58,8%.

O Brasil registrou 2,288 milhões de pessoas em situação de desalento no trimestre encerrado em junho. O resultado significa 395 mil desalentados a menos em relação ao trimestre encerrado em março, um recuo de 14,7%. Em um ano, 468 mil pessoas deixaram a situação de desalento, baixa de 17,0%.

A população desalentada é definida como aquela que estava fora da força de trabalho por uma das seguintes razões: não conseguia trabalho, ou não tinha experiência, ou era muito jovem ou idosa, ou não encontrou trabalho na localidade — e que, se tivesse conseguido trabalho, estaria disponível para assumir a vaga. Os desalentados fazem parte da força de trabalho potencial.

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A renda média real do trabalhador foi de R$ 3.738,00 no trimestre encerrado em junho. O resultado representa alta de 2,8% em relação ao mesmo trimestre de 2025.

A massa de renda real habitual paga aos ocupados somou R$ 380,3 bilhões no trimestre encerrado em junho, alta de 3,6% ante igual período do ano passado.

A massa de salários em circulação na economia aumentou em R$ 13,162 bilhões no período de um ano, para R$ 380,3 bilhões, uma alta de 3,6% no trimestre encerrado em junho ante o trimestre terminado em junho de 2025. Na comparação com o trimestre terminado em março, a massa de renda real caiu 0,5%, com R$ 1,832 bilhão a menos.

Número de pessoas com carteira assinada é recorde

A taxa de desemprego de 5,4% no trimestre móvel encerrado em junho é acompanhada pelo maior número de pessoas com carteira assinada dentro da série histórica iniciada em 2012. Eram 39,4 milhões de pessoas, segundo o IBGE.

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"O número de pessoas ocupadas com carteira de trabalho é o maior dessa série comparada, 39,4 milhões. Não tivemos uma variação estatisticamente significativa em relação ao trimestre e ao ano anterior, então mostra que, apesar do movimento positivo, ele é marginal", disse William Kratochwill, do IBGE.

No período, a população desocupada foi de 5,9 milhões, queda de 10,9% frente ao trimestre anterior. "Em relação à população desocupada, embora não tenhamos atingido o patamar mínimo da série histórica, os números atuais permanecem próximos aos níveis mais baixos registrados no trimestre encerrado em abril", afirmou.

"Analisando a série comparável, o menor nível de desocupação foi registrado no trimestre encerrado em dezembro de 2013, com um contingente de aproximadamente 5 milhões de pessoas. O dado atual encontra-se muito próximo a esse marco, com uma diferença de cerca de 360 mil pessoas."

Por grupamentos, a administração pública, saúde e educação apresentou crescimento de 2,6% no trimestre e 2,9% no acumulado do ano em relação ao número de pessoas ocupadas.

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"Os setores de transporte, informação, administração pública, saúde e educação contribuíram para o crescimento, enquanto o segmento de serviços domésticos apresentou queda em relação ao ano anterior. No entanto, ao compararmos com o mesmo trimestre do ano anterior, não houve retração significativa", detalhou./Com Gabriela da Cunha, Letícia Correia e Gabriela Jucá

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