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América Latina deve enfrentar El Niño intenso, diz representante da ONU

30 jul 2026 - 10h49

A ‌América Latina deve enfrentar um grave fenômeno climático conhecido como El Niño entre outubro e dezembro, o que provavelmente agravará os choques no abastecimento agrícola causados pelo conflito no Estreito de Ormuz, ⁠afirmou à Reuters o economista-chefe da Organização das ‌Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Máximo Torero.

Torero alertou que a região enfrenta ‌um "duplo golpe": condições climáticas extremas ‌e redução no abastecimento de fertilizantes e ⁠sementes híbridas. Esses itens foram afetados pelo bloqueio efetivo do Estreito de Ormuz durante o conflito entre Estados Unidos  e o Irã.

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"Há uma alta probabilidade de que este seja um El Niño ‌intenso — como o de 2015", disse Torero.

Espera-se que ‌o impacto seja ⁠desigual na ⁠América Latina. No Peru, a costa norte enfrenta inundações, enquanto ⁠as regiões montanhosas ‌sofrem com a ‌escassez de água — um padrão que provavelmente se repetirá entre o norte e o sul do Chile.

Torero disse que os governos devem elaborar ⁠políticas para lidar com ambos os extremos simultaneamente.

O Centro de Previsão Climática dos EUA estimou recentemente uma probabilidade de 81% de um El Niño "muito forte", que ‌pode se classificar entre os mais severos desde 1950.

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Torero pediu investimentos em preparação, afirmando que cada ⁠dólar dedicado a isso gera um retorno de US$7, em comparação com apenas US$3 para medidas reativas.

Torero recomendou concentrar esforços na infraestrutura para evitar interrupções no transporte, no desenvolvimento de sementes resilientes e na antecipação das colheitas para mitigar os danos causados por tempestades.

A FAO identificou o Corredor Seco da América Central, uma região de floresta tropical na costa do Pacífico, como uma zona de risco muito alto durante o El Niño.

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