O Banco Central Europeu manteve sua taxa básica de juros em 2% nesta quinta-feira e alertou que a guerra contra o Irã está afetando as perspectivas de crescimento e inflação na zona do euro.
Os preços do petróleo e do gás saltaram desde o início dos ataques israelenses e norte-americanos contra o Irã, aumentando o risco de que os custos mais altos de energia elevem os preços ao consumidor e diminuam a atividade em todo o bloco monetário de 21 países, que depende muito de combustível importado.
"A guerra no Oriente Médio... terá um impacto material sobre a inflação de curto prazo por meio do aumento dos preços da energia", disse o BCE. "Suas implicações de médio prazo dependerão tanto da intensidade quanto da duração do conflito e de como os preços da energia afetam os preços ao consumidor e a economia."
Entretanto, o banco central da zona do euro manteve suas opções em aberto, dizendo que está monitorando a guerra e seu impacto sobre a inflação, tanto incluindo e excluindo os preços da energia, e sobre o crescimento.
Ao comentar a decisão, a presidente do BCE, Christine Lagarde, optou por não repetir seu recente mantra de que o banco central está "em uma boa situação". Em vez disso, ela disse que a zona do euro é resiliente e que a inflação baixa significa que ela está "bem posicionada" para lidar com o que chamou de "grande choque que está ocorrendo".
Lagarde disse que as autoridades estão prestando muita atenção aos movimentos nos mercados de energia e de commodities e como eles influenciam as demandas salariais, o comportamento do consumidor e a fixação de preços pelas empresas.
Os bancos centrais dos Estados Unidos, Canadá, Japão, Reino Unido, Suécia e Suíça transmitiram mensagens semelhantes mais cedo ou na quarta-feira.
Os mercados financeiros agora preveem que a inflação da zona do euro suba para perto de 4% no próximo ano e depois leve anos para retornar à meta de 2% do BCE.
Operadores estão precificando dois ou três aumentos nos juros até dezembro, mesmo que a maioria dos economistas ainda não veja nenhuma mudança, apostando que o BCE não toleraria outro aumento da inflação impulsionado por guerra, depois de ter sido atingido pela invasão da Ucrânia pela Rússia há quatro anos.
Com a decisão desta quinta-feira, o BCE manteve sua taxa de juros em 2%, o que corresponde aproximadamente à inflação de fevereiro, que é anterior aos primeiros ataques ao Irã em 28 de fevereiro.
As projeções trimestrais atualizadas do BCE colocam a inflação em 2,6% em 2026, 2,0% em 2027 e 2,1% em 2028. O crescimento foi estimado em 0,9%, 1,3% e 1,4%.