BC eleva projeção de alta do PIB em 2026 de 1,6% para 2,0% e cita medidas de estímulo do governo

25 jun 2026 - 08h14
(atualizado às 08h56)

O Banco Central elevou sua projeção de ‌crescimento econômico em 2026 de 1,6% para 2,0% estimado em março, conforme Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira, e apontou que a atividade registrou aceleração e o mercado de trabalho manteve resiliência, citando também medidas de estímulo do governo.

"A projeção de crescimento do PIB para 2026 foi revisada de 1,6% para 2,0% principalmente pela surpresa positiva no ⁠resultado do primeiro trimestre e pela melhora nas perspectivas para a agropecuária e a ‌indústria extrativa", disse no documento.

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A autarquia disse que a revisão também reflete a expectativa de maior dinamismo da demanda interna e dos setores mais sensíveis ao ciclo econômico, "em grande ‌parte associada a estímulos de natureza fiscal e creditícia".

Em ‌um ano no qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá tentar ⁠a reeleição, o governo anunciou uma série de medidas de estímulo à atividade nos últimos meses, principalmente na área de crédito, com linhas subsidiadas para caminhões, ônibus e veículos usados em aplicativos de transporte, além de uma nova etapa do Desenrola, programa de refinanciamento de dívidas com descontos.

Ao comunicar sua decisão de juros da semana passada, o BC ‌já havia feito alerta sobre o tema ao incluir entre os fatores que poderão pressionar ‌a inflação para cima "estímulos à ⁠demanda agregada, em particular ⁠ao componente de consumo".

A nova previsão do BC para o Produto Interno Bruto (PIB) é menos otimista do ⁠que a apontada pelo governo, mas alinhada ‌às estimativas de mercado. O Ministério ‌da Fazenda previu em maio uma expansão de 2,3% para o PIB de 2026. Já o mercado, segundo a pesquisa Focus mais recente, estima que a economia crescerá 1,98% neste ano.

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INFLAÇÃO

Em relação ao comportamento da inflação, o BC disse que todos ⁠os segmentos do IPCA apresentaram variação elevada nos últimos três meses, com destaque para as altas em alimentação no domicílio e preços administrados, responsáveis pela surpresa no período.

"Além disso, a inflação de serviços seguiu pressionada e os preços de bens industriais voltaram a subir mais fortemente", afirmou.

Para o BC, a ‌inflação mais alta no trimestre também decorre do conflito no Oriente Médio, com impacto em especial no preço de combustíveis.

No cenário de referência, que segue projeções de mercado para ⁠os juros, a autarquia projetou que a inflação seguirá em alta no segundo, terceiro e quarto trimestres deste ano, fechando 2026 em 5,2%, depois cairá gradualmente até 3,7% no fim de 2027 e 3,2% no primeiro trimestre de 2028, chegando a 3,1% no fim de 2028, último período analisado.

Na avaliação do BC, a probabilidade de a inflação superar o teto da meta de 3% --que tem tolerância de 1,5 ponto percentual-- é de 79%, bem acima dos 30% previstos em março. Para 2027, a chance subiu de 19% para 28%.

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A autoridade monetária cortou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual na semana passada, a 14,25% ao ano, e deixou os próximos passos em aberto ao argumentar que avalia trajetórias de juros "alternativas" para atingir a meta de inflação em um horizonte um pouco mais distante.

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