Atividade industrial nos EUA desacelera em agosto; preços dos insumos continuam elevados

1 set 2026 - 11h30
Resumo
A atividade industrial dos EUA desacelerou em agosto, com o PMI recuando para 54,6, embora ainda sinalize expansão. A desaceleração refletiu a queda nas novas encomendas e no emprego no setor manufatureiro. Paralelamente, os gargalos nas cadeias de suprimentos mantiveram os preços dos insumos sob forte pressão em 71,1 pontos, sugerindo que a inflação ao produtor pode continuar acima da meta de 2% estipulada pelo Federal Reserve nos próximos meses.

A atividade industrial dos EUA apresentou ‌desaceleração em agosto, após um forte crescimento no mês anterior, com as novas encomendas diminuindo e os preços dos insumos permanecendo elevados em meio a tensões persistentes na cadeia de suprimentos.

O Instituto de Gestão de Suprimentos (ISM) informou nesta terça-feira que seu Índice de Gerentes de Compras (PMI) ⁠do setor manufatureiro caiu para 54,6 no mês passado — valor ainda ‌elevado —, ante 55,6 em julho, que havia sido a maior marca desde maio de 2022. Economistas consultados pela Reuters previam que o ‌PMI cairia para 55,2. O PMI tem ‌se mantido acima do limiar de 50 neste ano, indicando crescimento ⁠no setor manufatureiro.

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Parte da retração no mês passado pode ser resultado do enfraquecimento do impulso gerado pelas empresas que anteciparam pedidos para evitar preços mais altos e escassez decorrentes da guerra de seis meses entre EUA, Israel e Irã.

O setor manufatureiro, que representa cerca de ‌9,4% da economia, continua sendo impulsionado pela expansão da inteligência artificial. Espera-se ‌um novo impulso com ⁠a reposição dos ⁠estoques das empresas, que vêm diminuindo há cinco trimestres consecutivos — o período mais longo ⁠desde a Grande Recessão.

O índice ‌de novos pedidos da pesquisa ‌do ISM caiu para 53,7 no mês passado, ante 56,7 em julho. O estoque de trabalhos inacabados diminuiu, embora os pedidos de exportação tenham apresentado ligeiro aumento. Um indicador do emprego nas ⁠fábricas caiu para 51,2, após se recuperar em julho para 52,8, o nível mais alto desde agosto de 2022.

Esse indicador, no entanto, tem se mostrado um mau sinalizador do emprego na indústria reportado no relatório mensal de emprego do ‌governo. Uma pesquisa da Reuters com economistas aponta que o emprego na indústria deve ter permanecido fraco em agosto, embora se espere ⁠que o número total de empregos não agrícolas se recupere após uma queda inesperada em julho. O governo divulgará o relatório na sexta-feira.

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A retração nos pedidos não aliviou a pressão sobre as cadeias de abastecimento. O índice de entregas dos fornecedores da pesquisa subiu de 58,9 em julho para 59,3. Um valor acima de 50 indica entregas mais lentas. As restrições de abastecimento fizeram com que a inflação na porta da fábrica permanecesse alta no mês passado.

O indicador da pesquisa sobre os preços pagos pelos insumos permaneceu inalterado em 71,1, sugerindo que a inflação poderá permanecer acima da meta de 2% do Federal Reserve por algum tempo.

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