Resumo
Dados do IBGE revelam que os aplicativos se tornaram a principal fonte de trabalho e renda para 1,8 milhão de brasileiros. O levantamento destaca a expansão da economia de plataformas no país, impulsionada pelos setores de transporte de passageiros e entrega de mercadorias. O cenário evidencia tanto a relevância dessa modalidade como alternativa diante do desemprego quanto os desafios da precarização, caracterizada por longas jornadas e pela falta de garantias e proteção trabalhista.
O número de brasileiros que têm plataformas digitais como principal meio de trabalho cresceu 36,8% entre 2022 e 2025, segundo dados divulgados pelo IBGE em 4 de setembro de 2026. O contingente passou de 1,3 milhão para 1,8 milhão de pessoas no período. Isso representa cerca de 500 mil trabalhadores a mais em apenas três anos. Somente entre 2024 e 2025, o avanço registrado foi de 9,1%. Os dados mostram a expansão das plataformas na organização do mercado de trabalho.
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil / Flipar
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O número de brasileiros que têm plataformas digitais como principal meio de trabalho cresceu 36,8% entre 2022 e 2025, segundo dados divulgados pelo IBGE em 4 de setembro de 2026. O contingente passou de 1,3 milhão para 1,8 milhão de pessoas no período. Isso representa cerca de 500 mil trabalhadores a mais em apenas três anos. Somente entre 2024 e 2025, o avanço registrado foi de 9,1%. Os dados mostram a expansão das plataformas na organização do mercado de trabalho.
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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O levantamento considera profissionais que utilizam plataformas digitais de serviços em sua única ou principal ocupação. Por isso, ficam fora desse primeiro recorte aqueles que recorrem aos aplicativos apenas para fazer um bico ou complementar a renda. Os números fazem parte da terceira edição da pesquisa “Trabalho por meio de plataformas digitais”. O estudo é realizado pelo IBGE em convênio com a Unicamp e o Ministério Público do Trabalho. A pesquisa integra a Pnad Contínua.
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A participação dos chamados trabalhadores “plataformizados” entre os ocupados do setor privado também aumentou. Em 2022, eles representavam 1,5% desse grupo, percentual que passou para 1,9% em 2024. Em 2025, a proporção chegou a 2%, considerando um universo de 89,6 milhões de pessoas ocupadas. Quando entram na conta também os trabalhadores que utilizam plataformas em uma segunda atividade, o total chega a 1,96 milhão. A maior parte, porém, depende dos aplicativos como ocupação principal.
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Segundo o IBGE, 92,1% dos trabalhadores que utilizam plataformas digitais têm essa atividade como principal fonte de trabalho. Outros 182 mil recorrem aos aplicativos em uma ocupação secundária, normalmente para complementar os rendimentos. O Sudeste concentra a maior parcela dos profissionais que trabalham por meio dessas plataformas. São 1,08 milhão de pessoas na região, o equivalente a 55,3% do total nacional. A concentração acompanha também o peso econômico da região no mercado de trabalho brasileiro.
Foto: Marcelo Casal/Agência Brasil
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Os aplicativos de transporte particular de passageiros continuam reunindo a maior quantidade de trabalhadores. Em 2025, eram 1,036 milhão de pessoas nessa atividade, incluindo taxistas e motoristas que trabalham por plataformas como Uber e 99. Em 2022, o número era de 752 mil profissionais. O crescimento, portanto, foi de 37,8% em três anos. A categoria permanece à frente dos demais segmentos investigados pelo levantamento do IBGE.
Foto: Divulgação/Senado
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O setor de entregas apresentou, por sua vez, a maior aceleração no último ano da série. Entre 2022 e 2024, o número de trabalhadores que utilizavam aplicativos para entregar alimentos ou produtos passou de 237 mil para 274 mil. Já entre 2024 e 2025, o contingente saltou para 325 mil pessoas. O aumento em apenas um ano foi de 18,61%. A expansão foi superior à registrada nos dois anos anteriores da pesquisa.
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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Na comparação de todo o período entre 2022 e 2025, entretanto, os serviços gerais e profissionais tiveram o maior crescimento proporcional. O número de trabalhadores nessa categoria passou de 193 mil para 300 mil, alta de 55,4%. O grupo reúne atividades variadas, como faxina, cuidados de pessoas, reformas e reparos. Também inclui serviços de engenharia, arquitetura, tradução, redação, programação, design e tecnologia da informação. Consultas jurídicas e atendimentos on-line na área de saúde são outras atividades que aparecem nessa categoria.
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“No Brasil, ainda há um forte predomínio daqueles voltados às atividades de transporte particular de passageiros e de entrega. A utilização de aplicativos voltados para a prestação de outros serviços gerais ou serviços profissionais permanece menos usual”, afirmou o IBGE em nota técnica.