A alta de 80% nos custos de frete marítimo, que atingiu US$ 40 devido a tensões envolvendo o Irã, gera prejuízo e pressiona as exportações brasileiras de minério de ferro para a Ásia, segundo o Inda. Com a commodity estagnada em US$ 100 por tonelada e margens negativas, mineradoras enfrentam impactos operacionais, a exemplo da Usiminas, que paralisou atividades em Itatiaiuçu (MG). A expectativa do setor é que haja um reajuste nos preços do minério nos próximos meses para compensar as perdas.
O aumento nos custos com frete está pressionando exportações de minério de ferro do Brasil à Ásia, gerando reflexos em algumas operações no país, afirmou o presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Loureiro, nesta quinta-feira.
"Com o frete a US$40 dólares, a exportação de minério de ferro dá prejuízo", afirmou Loureiro em entrevista a jornalistas sobre o desempenho do setor distribuidor de aço mais cedo. No início do ano, o frete era cerca de 80% menor.
"Deve ter um reajuste do preço (do minério) nos próximos meses", previu Loureiro, cuja entidade acompanha regularmente preços de insumo do aço para identificar tendências de preços da liga produzida pelas usinas siderúrgicas.
Segundo dados do Inda, o preço do minério de ferro está estacionado por volta de US$100 a tonelada desde junho, enquanto o preço spot do carvão tem avançado desde julho.
"Com o problema (da guerra contra o) Irã, várias exportações de minério ficaram com margem negativa tendo que pagar US$40 de frete", disse o presidente do Inda, citando que a Usiminas Mineração (Musa) parou uma de suas minas neste mês.
Procurada, a Usiminas não comentou o assunto de imediato.
No início do mês, veículos de imprensa locais afirmaram que a Usiminas paralisou parte de suas operações de mineração em Itatiaiuçu, em Minas Gerais.