Alckmin e Durigan descartam debater Pix com os EUA após novo tarifaço de Trump

Governo norte-americano propôs novas tarifas contra o Brasil, citando, entre outras razões, suposto tratamento preferencial ao sistema de pagamentos, que prejudicaria empresas dos EUA

2 jun 2026 - 13h54

BRASÍLIA - Representantes do governo brasileiro descartaram, nesta terça-feira, 2, a possibilidade de negociar termos em relação ao Pix com os Estados Unidos. O governo americano propôs novas tarifas contra o Brasil, citando, entre outras razões, um suposto tratamento preferencial ao sistema de pagamentos, que prejudicaria empresas dos EUA.

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"Não tem a menor lógica o Pix entrar nisso, porque ele não prejudica ninguém e é extremamente benéfico à população brasileira", disse o vice-presidente Geraldo Alckmin, após uma reunião com ministros para tratar sobre o tema no Palácio do Planalto, em Brasília.

Nesta terça-feira, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs tarifas adicionais de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 15 de julho. A recomendação se deu após uma investigação com base na Seção 301 da Lei Comercial dos Estados Unidos apontar supostas práticas desleais do Brasil.

Também presente na entrevista à imprensa, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, criticou as alegações do USTR sobre o Pix e defendeu o sistema de pagamentos. "Mais do que estar fora de debate — e é evidente que está fora de debate —, o Pix é o maior símbolo da nossa soberania financeira", disse o ministro.

Autoridades brasileiras viram as críticas ao sistema na decisão do USTR como resultado de um lobby de empresas de pagamento americanas — como bandeiras de cartão de crédito — para privatizar o Pix. Apesar disso, a ação não tem um impacto imediato, porque não está respaldada na legislação brasileira.

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Durigan ainda acusou a família do ex-presidente Jair Bolsonaro de estar por trás da ação contra o Pix, que classificou como um sistema "cobiçado" no mundo. "Mais uma vez, a família Bolsonaro faz um movimento contrário ao Pix", disse, sem citar nominalmente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se reuniu com o presidente americano, Donald Trump, na semana passada.

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