As ações da Azzas 2154 avançavam mais de 10% nos primeiros negócios nesta segunda-feira, após a companhia divulgar no final da sexta-feira que contratou o Morgan Stanley para assessorar a avaliação de alternativas estratégicas envolvendo os ativos relacionados à marca Farm Rio, com o objetivo de destravar valor dessa marca.
A empresa, também dona das marcas Arezzo, Hering e Reserva, ressaltou no fato relevante ao mercado que "até o presente momento, não há qualquer decisão tomada, operação aprovada, estrutura definida, proposta formal, instrumento vinculante celebrado ou definição acerca da efetiva implementação de qualquer eventual operação, tampouco sobre seus potenciais termos, condições, ativos envolvidos, cronograma ou viabilidade".
A discussão, pontuaram analistas do BTG Pactual, surge em meio a um cenário de governança cada vez mais complexo envolvendo os acionistas controladores da empresa e em um momento em que os investidores continuam questionando se os benefícios da criação de um conglomerado de moda multimarcas foram totalmente capturados.
"Mais importante ainda, o movimento coloca os holofotes sobre um ativo que tem consistentemente se destacado em relação ao restante do portfólio", afirmou a equipe do BTG liderada por Luiz Guanais.
"Por anos, a Farm Rio tem sido ao mesmo tempo um dos maiores pontos fortes e um enigma de valuation dentro do Grupo Soma e, posteriormente, da Azzas. A marca apresentou consistentemente crescimento superior, maior rentabilidade e maior relevância internacional do que a maioria dos ativos do portfólio", afirmaram em relatório a clientes.
Tal visão é acompanhada pelos analistas da XP liderados por Danniela Eiger, que destacaram em relatório ver a "Farm Rio como "um ativo valioso que combina potencial de crescimento, com fortes oportunidades de expansão internacional; 'brand equity'; e rentabilidade sólida, alavancada por sua identidade única".
"Acreditamos que pode haver interesse de: players estratégicos buscando uma marca de alto crescimento para complementar um portfólio existente de marcas globais de vestuário/lifestyle com apetite por M&A (por exemplo: ABG, WHP, Bluestar Alliance, LVMH, Kering, Inditex); ou patrocinadores financeiros com histórico em consumo/varejo, particularmente em moda premium (por exemplo: L Catterton, Carlyle, General Atlantic, Advent)".
Ponderando que a visibilidade sobre os dados financeiros sozinhos da FarmRio é limitada, os analistas da XP citaram que a sua análise de sensibilidade sugere um "equity value" entre US$360 milhões e US$900 milhões.
"Já vimos essa história antes na Natura, com Aesop e TBS, e esperamos uma dinâmica semelhante para a Azzas 2154 daqui em diante. Notícias incrementais em torno de partes interessadas/termos de valuation provavelmente ditarão o desempenho da ação, embora acreditemos que investidores não precificarão totalmente esse evento antes que informações mais concretas sejam divulgadas, seja sobre a transação ou sobre uma resolução entre os acionistas controladores."
Na B3, por volta de 10h15, as ações subiam 5,47%, a R$18,52. Na sexta-feira, as ações fecharam com salto de mais de 8% após o site Neofeed publicar que a companhia havia contratado o Morgan Stanley para vender a Farm.