O SBT está pronto para promover uma verdadeira revolução em seu departamento de dramaturgia e romper com um jejum de 15 anos.
De olho no prestígio e nos altos índices comerciais que o gênero histórico rende à Globo, a alta cúpula da emissora planeja retomar a produção denovelas voltadas ao público adultoem 2027.
O principal trunfo é uma grande novela de época.
O projeto de bastidores está sendo desenhado diretamente por Íris Abravanel, viúva de Silvio Santos (1940-2024) e principal autora do canal.
Íris já colocou três sinopses inéditas na mesa de avaliação da diretoria.
O plano marca o retorno de uma parceria histórica com a produtora JPO, de José Paulo Vallone.
As duas empresas foram responsáveis por grandes marcos da TV entre o fim dos anos 1990 e início dos anos 2000, como os clássicos O Direito de Nascer (2001), Dona Anja (1997) e Colégio Brasil (1996).
Parceria com o Disney+ surge como salvação
Apesar do entusiasmo, a produção de uma novela de época acende o sinal de alerta no setor financeiro devido aos custos astronômicos com figurinos, locações e reconstituição de cenários.
No entanto, o SBT avalia que o investimento se paga pelo retorno institucional e pela extrema credibilidade que o formato possui junto ao mercado publicitário de luxo.
Para viabilizar a empreitada sem estourar o orçamento, o SBT e a JPO costuram um modelo de coprodução com o mercado de streaming. O alvo principal é o Disney+.
A gigante americana mantém excelentes relações institucionais com a rede da Anhanguera, selada recentemente por meio de pacotes de publicidade compartilhados e a produção conjunta de reality shows como o The Voice Brasil.
A emissora não coloca uma trama histórica no ar desde o polêmico folhetim Amor e Revolução (2011), que retratou o período da Ditadura Militar.
Vale lembrar que o maior sucesso de audiência e crítica da história da teledramaturgia do SBT foi justamente uma obra do gênero: o clássico Éramos Seis (1994).
O fim da era 100% infantil
A decisão de aprovar textos adultos em 2027 decreta uma transição importante na identidade do canal.
Desde 2012, após a exibição de Corações Feridos, o SBT engatou um monopólio de produções estritamente focadas no público infanto-juvenil.
Embora a Era de Ouro infantil tenha salvado o caixa da emissora com fenômenos de licenciamento como Carrossel (2012), Chiquititas (2013), Cúmplices de um Resgate (2015), Carinha de Anjo (2016) e As Aventuras de Poliana (2018), o formato saturou.
A meta agora é diversificar o portfólio para recuperar o público mais maduro que migrou para a concorrência.
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