Apresentada por Ana Clara na TV Globo, a terceira temporada de "Estrelas da Casa" estreia com novo formato focado na disputa entre grupos musicais de pop e pagode, buscando aproximar o reality da indústria fonográfica. A edição conta com Junior e Belo como mentores das equipes e Anitta no papel de conselheira estratégica. O programa terá exibições diárias na TV aberta, além de conteúdos complementares transmitidos no Multishow e no Globoplay para acompanhar o desenvolvimento dos artistas.
A terceira temporada de Estrelas da Casa estreia nesta terça-feira, 25, na TV Globo, logo após a novela Quem Ama Cuida, com uma proposta diferente das duas edições anteriores. Sob o comando de Ana Clara, o reality musical deixa de concentrar a disputa na busca por um único vencedor e passa a acompanhar a formação de grupos, divididos entre os gêneros pop e pagode.
A nova dinâmica coloca os participantes em equipes que terão de disputar, semana a semana, a permanência na competição. Ao fim da temporada, apenas um dos dois estilos será consagrado vencedor. Para conduzir esse processo, o programa reunirá três nomes de trajetórias distintas na música: Junior assume a mentoria do grupo de pop, enquanto Belo fica à frente do pagode. Anitta participa como conselheira.
A mudança amplia também o papel da convivência e da construção coletiva dentro do reality. Os cantores terão de desenvolver suas habilidades individuais ao mesmo tempo em que aprendem a funcionar como grupo, uma experiência que, segundo a equipe responsável pela atração, busca aproximar a competição dos desafios encontrados na indústria musical.
De acordo com o diretor Rodrigo Dourado, a mudança foi motivada pela experiência das duas primeiras temporadas. A equipe decidiu ampliar a proposta para mostrar não apenas o desenvolvimento de artistas individualmente, mas também o processo de criação de um grupo musical.
"Nesta terceira edição, quisemos ampliar essa experiência e trazer uma nova dimensão à competição ao acompanhar, na prática, como nasce um grupo musical", explica em entrevista ao Estadão. "Além do talento individual, os participantes precisam aprender a criar, conviver e performar juntos. Isso aproxima o reality da indústria da música e oferece uma experiência ainda mais rica para participantes e público, que passa a acompanhar tanto o desenvolvimento artístico quanto a construção de uma identidade coletiva", salienta.
Para Ana Clara, que retorna ao comando do reality, a principal transformação está justamente na necessidade de os participantes aprenderem a equilibrar a ambição individual com a construção de um projeto coletivo.
"A gente vai ter que ver esses artistas tirando um pouco o ideal de carreira solo e trazendo a ideia de grupo, pensar em grupo, se organizar em grupo, pensar mais no coletivo do que no individual. Mas, é lógico, vai ser importante também que eles se mostrem como indivíduos. Isso transforma a competição", destaca.
Novos mentores
A escolha de Anitta, Belo e Junior também faz parte da estratégia de aproximar o reality da indústria musical. Segundo Dourado, os três possuem trajetórias complementares e podem oferecer aos participantes diferentes perspectivas sobre a construção de uma carreira na música.
"Anitta, Belo e Junior têm trajetórias consolidadas e complementares dentro da música brasileira. Eles dialogam com públicos diversos e, no Estrelas, ajudam a traduzir um dos pilares desta temporada: o aprendizado vindo de quem vive a indústria da música em alto nível", explica. "Cada um contribui com sua experiência na formação e no desenvolvimento dos grupos, oferecendo aos participantes uma vivência prática dos desafios artísticos e estratégicos da carreira. A presença dos três reforça a proposta do programa de mostrar a construção de projetos musicais reais, com orientação de profissionais que são referência em seus segmentos."
À frente das equipes de pagode e pop, respectivamente, Belo e Junior chegam ao reality com experiências diferentes, mas compartilham uma preocupação: ajudar os participantes a encontrar uma identidade própria.
Para Belo, a autenticidade é um dos principais elementos para quem deseja se destacar em um mercado cada vez mais competitivo. "Acho que, antes de tudo, precisa ter verdade. Hoje existem muitos artistas talentosos, muita gente cantando bem e com acesso a ferramentas que antes a gente não tinha", diz.
"Então, para se destacar, não basta só ter uma boa voz. É preciso ter identidade, saber quem você é e o que quer transmitir através da música. O público percebe quando existe verdade ali. Técnica a gente aprimora, repertório a gente constrói, mas personalidade artística é algo muito particular. E acho que é justamente isso que faz alguém deixar de ser apenas mais uma boa voz para se tornar um artista que as pessoas reconhecem e querem acompanhar", continua.
Como mentor, Belo pretende preservar as características individuais dos participantes, mas sem deixar de provocá-los a experimentar novas possibilidades. A estratégia, segundo ele, passa por encontrar um equilíbrio entre respeitar a essência de cada artista e estimular sua evolução.
"As duas coisas precisam caminhar juntas. Quero preservar muito a essência de cada participante, porque não faz sentido transformar todo mundo na mesma coisa. Cada artista precisa descobrir e fortalecer aquilo que tem de único. Mas também vou provocar, porque muitas vezes a gente só descobre do que é capaz quando alguém nos tira daquele lugar confortável", pontua.
"Eu mesmo vivi isso muitas vezes na minha carreira. Então quero usar a minha experiência para ajudar, orientar, dividir o que aprendi e, quando sentir que existe potencial para ir além, vou desafiar também. Sempre respeitando a identidade de cada um, porque no final é ela que vai fazer a diferença", acrescenta.
Junior, que estará à frente da equipe de pop, também leva para a competição a experiência de quem cresceu sob os holofotes. Para ele, saber filtrar as opiniões externas será fundamental para que os participantes não percam de vista suas próprias convicções durante a disputa.
"Pensando sobre pressão de exposição, acho que, para mim, o conselho seria para cuidar, para não ouvir demais a opinião alheia. A gente tem que saber filtrar as opiniões de fora e focar no que a gente acredita para não se perder como artista", destaca.
Ao avaliar os talentos que espera encontrar, Junior diz que pretende observar mais do que a capacidade vocal. No pop, ele considera importante que o artista consiga reunir diferentes habilidades e apresentar um desempenho completo.
"O que me chama atenção, na verdade, é uma série de coisas. Acabo prestando muita atenção na habilidade de cantar, no talento como cantor ou cantora, mas também na expressão corporal e na dança. Acho que, no gênero pop, é importante ser completo nesse sentido. Existe um conjunto que precisa ser avaliado, não apenas pontos individuais do talento da pessoa. Para mim, o conjunto da obra tem que ser interessante", fala.
Além da técnica, o mentor espera encontrar participantes com personalidades marcantes e capazes de fugir de modelos já conhecidos pelo público.
"Ao mesmo tempo, espero encontrar personalidades mais distintas, que não sejam mais do mesmo. Quem sabe trazer artistas interessantes para o público, com originalidade. Isso é algo importante. Acho que, dentro do gênero, para ganhar um certo destaque e chamar a atenção, esse diferencial também conta bastante", salienta.
'Um bom conselheiro entende as necessidades individuais'
Como conselheira, Anitta terá uma posição diferente da ocupada por Belo e Junior. Sua função será contribuir para o desenvolvimento dos participantes e dos grupos, mas sem tomar as decisões que cabem aos mentores. "Um bom conselheiro entende as necessidades individuais de cada artista e também de cada mentor. Estarei ali para dar conselhos, mas não para tomar decisões. Tô amando esse cargo e animada para começar", conta.
A experiência da cantora também aparece quando o assunto é construção de carreira. Para Anitta, talento, estratégia e presença nas redes sociais não podem ser analisados separadamente. Antes de definir como pretende chegar ao sucesso, o artista precisa entender o que busca para a própria trajetória.
"É um mix tudo isso e depende muito dos objetivos de carreira de cada um. Acho que tudo começa com vontade, sabe? Passa também por uma reflexão sobre onde você quer chegar e entender o que é necessário pra isso. É sucesso comercial que você quer? Ou uma audiência pequena, mas fiel? Tudo isso vem cheio de variáveis. Talento é algo que você desenvolve. Mas esse autoentendimento inicial é mega importante", explica.
Gênero vai determinar o vencedor?
A disputa entre o pop e o pagode também deve colocar em jogo diferentes formas de identificação com o público. Para Ana Clara, ainda é impossível saber se a votação será mais influenciada pela qualidade artística, pelo gênero musical ou pela personalidade dos participantes.
"Estou muito ansiosa para ver como o público vai reagir a essa dinâmica porque podemos ter um grande fã de pagode se apaixonando por um grupo de pop por causa da personalidade dos integrantes, assim como alguém que ama pop pode se encantar pelos participantes do pagode", opina. "É justamente essa mistura de fatores que torna tudo tão interessante. Ainda é impossível prever o que terá mais peso, mas estou muito curiosa para acompanhar o comportamento do público ao longo da temporada", fala.
A aposta em grupos, para a apresentadora, acompanha ainda uma tendência internacional de formação de conjuntos musicais, especialmente no K-pop, que conquistou um público expressivo no Brasil. Ana Clara acredita que o reality pode despertar interesse não apenas pela formação das equipes, mas pelo que acontecerá com elas depois da competição.
"Estamos vendo, cada vez mais, o desejo do público de que surjam novos grupos musicais no Brasil. Isso já é uma grande tendência no mercado internacional. Temos, por exemplo, os grupos de K-pop, que são amplamente consumidos pelos brasileiros. Então, por que não criar um produto com essa proposta no nosso País? Acho isso muito legal. A formação de grupos é uma aposta que tem grande potencial porque acredito que o público vai querer acompanhar não só a criação dessas formações, mas também a trajetória e o sucesso delas", pontua.
Quando e onde assistir ao 'Estrelas da Casa'?
O Estrelas da Casa vai ao ar de segunda a sábado na TV Globo logo após a novela Quem Ama Cuida, por volta das 22h30, e aos domingos após o Fantástico, às 23h35. Confira os horários de exibição do reality:
- Segunda a Sábado: 22h30, após 'Quem Ama Cuida'
- Quartas-feiras: 23h45, após o futebol
- Domingos: 23h35, após o Fantástico
O programa também pode ser acompanhado pelo canal pago Multishow, com atrações especiais e complementares. Além disso, é possível conferir, a qualquer hora do dia, pelo serviço de streaming da Globo, o Globoplay.
- No Multishow: O Estúdio Backstage, com Gloria Groove e Dedé Teicher, é transmitido ao vivo às quartas-feiras, às 22h30. Às segundas-feiras, às 18h, o TVZ, sob o comando de Lexa e Gominho, recebe ao vivo convidados do Estrelas da Casa. Além disso, o público poderá acompanhar boletins diários, com resumo dos principais acontecimentos do dia dos competidores, apresentados por Dedé Teicher e Foquinha.
- No Globoplay: é possível conferir os programas exibidos pela TV Globo, além de resumos diários com os principais acontecimentos da competição