O Channel 4 cancelou o reality Married at First Sight UK após dez temporadas devido a graves denúncias de violência sexual contra participantes, reveladas por investigação da BBC. Três mulheres relataram abusos cometidos por parceiros do programa, incluindo estupros e ameaças com ácido, o que culminou na prisão de um participante e na abertura de investigações regulatórias. Diante da perda de patrocinadores e de falhas na proteção às vítimas, a emissora retirou a atração do ar e pediu desculpas.
O Channel 4 confirmou nesta quinta-feira (5) o fim de Married at First Sight UK, um dos realities de relacionamento mais conhecidos da televisão britânica. A decisão veio depois de uma investigação do programa Panorama, da BBC, que revelou denúncias de violência sexual envolvendo participantes. Três mulheres relataram abusos cometidos por homens escolhidos como seus parceiros no experimento.
Duas afirmaram ter sido estupradas, e uma terceira denunciou um ato sexual sem consentimento. Uma das participantes também disse ter recebido ameaças de um ataque com ácido. Os homens citados negaram as acusações.
O que levou ao cancelamento
A repercussão fez a emissora suspender a produção, retirar episódios de suas plataformas digitais e perder um patrocinador. O fim do programa encerra um formato que ficou no ar por dez temporadas. A CEO do canal, Priya Dogra, pediu desculpas às mulheres pela angústia relatada e disse que os recursos do reality serão usados em outras produções.
A única denunciante que aceitou revelar a identidade foi Shona Manderson, que acusou o parceiro de comportamento sexual inadequado. As mulheres questionaram a capacidade da produção de protegê-las durante as gravações. Uma delas afirmou ter comunicado suas preocupações ao Channel 4 e à produtora CPL antes da transmissão, mas os episódios foram ao ar mesmo assim. A empresa negou falhas e classificou seus procedimentos de assistência como "padrão ouro".
As avaliações independentes
Depois de receber as informações da BBC, o canal contratou uma avaliação independente de seus protocolos. Uma análise jurídica considerou que as regras estavam alinhadas às exigências da Ofcom, reguladora britânica, mas identificou situações em que as medidas de proteção não foram aplicadas integralmente. Outra avaliação, conduzida pela produtora Lorraine Heggessey, considerou os procedimentos detalhados e apontou que mudanças poderiam permitir a continuidade do formato.
Mesmo assim, Dogra disse que a emissora decidiu rever a própria proposta do programa. "Isso provocou questões fundamentais sobre a proposta editorial de um programa que, eu acredito, já cumpriu seu ciclo ao longo de dez anos." Ela ressaltou que a revisão não tinha competência para julgar as denúncias apresentadas no Panorama.
Investigação da Ofcom e prisão
A Ofcom abriu uma investigação sobre o reality. Neste ano, segundo a BBC, um participante chegou a ser preso sob suspeita de estupro. A identidade dele e a de quem fez a denúncia não foram divulgadas, em respeito ao anonimato garantido pela lei britânica às vítimas desse tipo de crime. As acusações seguem sendo tratadas pelas instâncias responsáveis.