Na tarde de sexta-feira, 16 de outubro, Flávio Bolsonaro foi recebido na sede executiva da Globo para almoço oferecido pelo presidente do grupo, João Roberto Marinho.
À mesa, estava também Paulo Tonet, vice-presidente de Relações Institucionais da empresa de comunicação.
Na prática, ele é uma espécie de diplomata com a missão de cultivar vínculos amistosos da cúpula da Globo com as maiores autoridades dos três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário).
Tem linha direta com deputados, senadores, governadores, ministros do governo e também do STF. Recebe reclamações por matérias, sugestões de pautas e outras demandas.
De certa maneira, faz a blindagem dos donos da Globo — Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto — para que só o imprescindível chegue até os três.
Com reputação de ótimo negociador, o executivo chegou à emissora em 2011, após uma trajetória bem-sucedida como professor de Direito, membro do Ministério Público, integrante do Ministério da Justiça no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso e diretor no grupo gaúcho de mídia RBS.
Um dos maiores desafios de Tonet foi resguardar a Globo nos quatro anos de Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto.
Logo no início do mandato, em 2019, o então presidente ficou furioso ao saber que seu ministro-chefe da Secretaria-Geral, Gustavo Bebiano, havia agendado uma reunião com o executivo da família Marinho.
“Como você coloca nossos inimigos dentro de casa?”, questionou. O encontro acabou cancelado. Três meses depois, o próprio Bolsonaro recebeu Tonet em seu gabinete para uma audiência de trinta minutos.
Em seu período na Presidência, o líder conservador não poupou ataques verbais contra o canal carioca. O representante da Globo teria tido um papel decisivo nos bastidores para que as ameaças não se traduzissem em ações concretas.
Coincidência ou não, em 2022, quando tentou a reeleição, Bolsonaro aumentou significativamente a verba de publicidade federal para a emissora e, faltando 11 dias para deixar o poder, assinou o decreto que renovou a concessão por mais 15 anos.
Agora, o vazamento da notícia do almoço com Flávio Bolsonaro, vencedor no 1º turno da eleição, sinaliza que o hábil e discreto Paulo Tonet já se movimenta para continuar a defender os interesses do grupo de comunicação mais poderoso do Brasil.