‘Quem Ama Cuida’ ridiculariza o lado cafona da alta sociedade paulistana em festa estranha com gente esquisita

Sequência pode ser lida como uma crítica ao grupo que se acha muito melhor do que o 'resto' da população

31 jul 2026 - 13h16
(atualizado às 13h16)

Em ‘Alô, Alô, Marciano’, de 1980, Elis Regina debocha da decadência da elite brasileira. Canta num trecho: “Tá cada vez mais down in the high society / Down, down, down…”

A canção composta por Rita Lee e Roberto de Carvalho seria trilha perfeita para a sequência da recepção no apartamento de Pilar (Isabel Teixeira) em ‘Quem Ama Cuida’.

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Para usar outra referência musical, foi uma “festa estranha com gente esquisita”, como define Renato Russo em ‘Eduardo e Mônica’.

Mulheres com elegância mofada, homens de meia-idade forjando sensualidade, alguns cabelos cimentados de laquê, dancinhas ridículas, gestos exagerados.

Uma imagem que lembrou o famoso Baile Surrealista oferecido pela socialite Marie-Hélène de Rothschild em um castelo na França, em 1972. 

As fantasias excêntricas e os comportamentos assustadores geraram a lenda de que aconteceram rituais secretos de uma sociedade ocultista.

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Aquela turma de Pilar é igualmente suspeita.

Podemos interpretar a sequência como uma crítica ao ‘jet set’ brasileiro, formado por gente que se acha muito bonita, muito chique, muito interessante, acima de tudo e todos.

Por trás da máscara da riqueza, há pessoas dependentes de remédios tarja preta, casamentos infelizes, falsas amizades e fofocas pesadas.

Como se vê, aliás, na relação entre Pilar, Fábia (Flávia Alessandra) e Carmita (Deborah Evelyn). Pela frente, beijinhos e elogios. Pelas costas, maledicência e desprezo.

Uma última referência musical: o sonoplasta escolheu para a cena da balada excêntrica, quando os personagens dançaram agachando até o chão, ‘Debut’, do grupo feminino Katseye.

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Um trecho diz: “... burguesia, eu vou entrar / sei exatamente como fazer uma cena / apenas eu, eu mesma, e minhas melhores amigas”.

Saborosa autoironia da Globo.

A festa de Pilar (Isabel Teixeira) teve até agachadinha até o chão: parece apenas uma cena de diversão, mas há nela crítica social com deboche
A festa de Pilar (Isabel Teixeira) teve até agachadinha até o chão: parece apenas uma cena de diversão, mas há nela crítica social com deboche
Foto: Reprodução
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